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EDITORIAL: Indignação e cobrança por Justiça: Até quando mais Vanessas serão mortas?

Editorial desta quinta-feira

13 fev 2025 às 12h31 | Redação

A morte brutal da jornalista Vanessa Ricarte, assassinada pelo ex-noivo em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, não é apenas mais um caso de feminicídio. É um retrato cruel e inaceitável de uma sociedade que ainda falha em proteger suas mulheres. Vanessa, de 42 anos, era uma profissional dedicada, chefe de assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho (MPT-MS), e uma voz ativa na luta pelos direitos trabalhistas e pela justiça social. Sua vida foi ceifada por três facadas desferidas por Caio Nascimento, seu ex-companheiro, horas após ela ter registrado uma denúncia e obtido uma medida protetiva.

Esse crime não é um caso isolado. Vanessa é a segunda vítima de feminicídio em Mato Grosso do Sul apenas em 2025, um estado que já ocupa o terceiro lugar no ranking nacional desse tipo de crime . A pergunta que ecoa é: até quando mais mulheres precisarão morrer nas mãos daqueles que dizem amá-las?

A indignação não pode se limitar a notas de pesar e discursos de solidariedade. É preciso cobrar ações concretas e eficazes. O sistema falhou com Vanessa. Ela fez tudo o que estava ao seu alcance: denunciou, buscou ajuda e obteve uma medida protetiva. No entanto, a falta de fiscalização e a morosidade da justiça a deixaram vulnerável. Medidas protetivas sem monitoramento são apenas papel. E, como bem destacou a deputada Camila Jara, “justiça que não age rápido é sentença de morte”

Mato Grosso do Sul precisa urgentemente de políticas públicas que funcionem. A Lei do Feminicídio, completando 10 anos em 2025, ainda não é suficiente para frear a violência contra as mulheres. Campanhas de conscientização, embora importantes, não têm surtido o efeito necessário. É preciso investir em educação, em redes de apoio eficientes e em mecanismos que garantam a segurança das vítimas desde o primeiro sinal de agressão .

A morte de Vanessa Ricarte é um lembrete cruel de que a luta contra a violência de gênero precisa ser intensificada. Não podemos mais aceitar discursos vazios e ações insuficientes. É hora de agir com firmeza, de fortalecer as leis, de garantir que os agressores sejam punidos exemplarmente e de criar um sistema que realmente proteja as mulheres.

Que a memória de Vanessa inspire mudanças reais. Que sua tragédia não seja em vão. E que nenhuma outra mulher precise perder a vida para que a sociedade acorde e enfrente, de uma vez por todas, essa epidemia de violência. Até quando mais Vanessas serão mortas? A resposta deve ser: nenhuma a mais.