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Política

EDITORIAL: Greve expõe fraqueza da gestão Adriane e escancara vazio de comando na Capital

Mais uma vez, a prefeita Adriane Lopes sai fragilizada de uma crise que já deixou de ser apenas operacional e…

18 dez 2025 às 11h12 | Redação

Mais uma vez, a prefeita Adriane Lopes sai fragilizada de uma crise que já deixou de ser apenas operacional e passou a ser política. A greve dos motoristas do transporte coletivo escancarou, em quatro dias, aquilo que a população sente há meses: falta gestão, falta comando e, sobretudo, falta comunicação.

A prefeita mostrou planilhas, questionou números, levantou dúvidas. Tudo muito técnico, tudo muito burocrático. Mas o problema real segue sem solução. Ônibus parados, trabalhadores sem receber e uma cidade inteira penalizada. Em política, quem explica demais costuma resolver de menos.

Não se trata de apontar um único culpado. Greve não nasce do nada. Agora, convenhamos: você já pensou trabalhar e não receber? Antes de qualquer discurso, existe um drama humano que foi ignorado até virar caos urbano. Quando a prefeitura demora a agir, perde o controle da narrativa e, pior, da realidade.

A cada dia que passa, Adriane perde popularidade. E não é por acaso. A comunicação do Executivo é fraca, reativa, descolada do sentimento da população. Secretários silenciosos, outros perdidos, e a prefeita isolada em explicações técnicas que não chegam a quem espera uma solução prática.

Nesse vácuo de liderança, quem entrou em cena foi a Câmara Municipal de Campo Grande. O presidente Papy demorou? Sim. Mas, como diz o ditado, antes tarde do que nunca. A Câmara precisou assumir o protagonismo, chamar o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, pressionar, mediar e tentar colocar fim a um impasse que não é de sua competência direta.

E é aqui que mora a pergunta mais incômoda e necessária: até quando o Legislativo vai decidir e resolver problemas no lugar da prefeita? Até quando a Câmara será o “corpo de bombeiros” de uma gestão que parece sempre chegar depois do incêndio?

Campo Grande não precisa de planilhas em coletiva. Precisa de decisão, pulso firme e empatia. Crise se enfrenta com liderança. E liderança, quando falta, cobra seu preço nas ruas, nas urnas e na confiança popular.

A greve vai acabar. Toda greve acaba. O que fica é a marca política de quem conduziu ou deixou de conduzir, o processo. E, neste episódio, a conta não fecha para a prefeita.