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Política

MPMS confirma ações judiciais contra Toninho Colibri; Câmara de Santa Rita do Pardo não comenta

Entre ações judiciais e omissão política, vereador acusado de compra de votos continua no poder

26 jan 2026 às 18h07 | Redação

Foto: Divulgação/CMSRP

O caso do vereador Antonio Coral Costa, conhecido como Toninho Colibri (PSDB), ex-presidente da Câmara Municipal de Santa Rita do Pardo, continua gerando indignação e questionamentos da população quanto à morosidade das apurações e à ausência de providências políticas internas. Preso em flagrante no dia da eleição municipal de 2024 por suspeita de corrupção eleitoral, o parlamentar segue exercendo normalmente o mandato.

Toninho Colibri, de 65 anos, foi detido em 6 de outubro de 2024, acusado de participar de um esquema de compra de votos por meio da distribuição de vales de combustível em um posto da cidade. Apesar da gravidade dos fatos e da apreensão de provas, ele foi solto três dias depois, após pagamento de fiança reduzida de R$ 50 mil para R$ 20 mil.

Mesmo preso durante o pleito, o tucano foi reeleito como o segundo vereador mais votado do município, com 309 votos, situação que ampliou a revolta de moradores, que cobram uma resposta mais rápida e efetiva das autoridades judiciais e também da Câmara Municipal.

O que diz a polícia

De acordo com a Polícia Civil, a denúncia chegou na manhã da eleição, por volta das 10h30. Durante a abordagem, os agentes encontraram uma sacola com mais de 200 tickets de combustível, que teriam sido repassados pelo gerente do posto a pedido do vereador. O estabelecimento chegou a ser fechado temporariamente para impedir a continuidade do suposto crime eleitoral.

Em depoimento, o gerente confirmou que Toninho negociava diretamente com o proprietário do posto e que um assessor do parlamentar, conhecido como “Chocolate”, era o responsável por distribuir os tickets entre cabos eleitorais e eleitores. Com ele, a polícia encontrou tickets idênticos aos apreendidos, além de material de campanha do vereador.

⚖️ Resposta do Ministério Público

Diante da repercussão e da cobrança popular, o Blog do Bulhões procurou o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, que informou que a apuração dos fatos está sob responsabilidade da Promotoria de Justiça de Brasilândia, responsável pela Zona Eleitoral de Santa Rita do Pardo.

Em nota enviada ao portal, o MP esclareceu que já houve o ajuizamento de ação penal e que, anteriormente, foi avaliada a possibilidade de celebração de Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) com os demais envolvidos, conforme previsto na legislação.

“Houve o ajuizamento de ação penal, em que o Ministério Público, anteriormente, no exercício de suas atribuições constitucionais e legais, avaliou a possibilidade de celebração de Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) com os demais envolvidos, medida prevista em lei e compatível com a natureza dos fatos investigados”, diz a Assessoria de Imprensa.

O MP também informou que há uma ação em andamento na Justiça Eleitoral, relacionada aos mesmos fatos, e que eventuais sanções, inclusive perda de mandato, dependem da confirmação dos elementos probatórios no curso do processo.

“Eventuais medidas cautelares, responsabilizações penais ou eleitorais, bem como pedidos de sanções, inclusive perda de mandato, dependem da confirmação dos elementos probatórios no curso das investigações e das ações já em tramitação”, completa o órgão.

Silêncio da Câmara Municipal

O Blog do Bulhões também tentou ouvir a Câmara Municipal de Santa Rita do Pardo. A presidente da Casa, vereadora Tereza de Jesus, informou que só responde demandas por meio de e-mail institucional. No entanto, o site oficial da Câmara não disponibiliza de forma visível nenhum endereço eletrônico para contato da população.

A reportagem também tentou contato por telefone, mas até o fechamento desta matéria as ligações não foram atendidas.

Enquanto isso, mesmo diante de prisão em flagrante, apreensão de provas e investigação em curso, não foi protocolado nenhum pedido de abertura de comissão de ética para apurar a conduta do vereador dentro do Legislativo municipal.

A situação segue sem desfecho judicial e sem posicionamento político claro, ampliando a sensação de impunidade entre moradores. “A lei precisa valer para todos. Não dá para alguém ser preso por compra de votos e continuar no cargo como se nada tivesse acontecido”, disse um morador, que preferiu não se identificar.

O Blog do Bulhões segue acompanhando o caso.