Gestão Adriane Lopes é acusada de enfraquecer políticas contra o racismo em Campo Grande
Rebaixamento de coordenadoria vira alvo de críticas e pode parar no Ministério Público.
O rebaixamento da Coordenadoria Municipal de Promoção da Igualdade Racial para Núcleo de Promoção da Igualdade Racial, em Campo Grande, foi o alerta feito na Tribuna da Câmara Municipal de Campo Grande por Andreia Ferreira, da Rede de Enfrentamento ao Racismo de Mato Grosso do Sul/FortaleSer, durante a sessão ordinária desta terça-feira, dia 17. Ela afirma que essa mudança enfraquece as políticas de enfrentamento ao racismo no Município, citando várias conquistas que já tinham sido obtidas.
Andreia Ferreira citou que, por meio da Coordenadoria, Campo Grande já tinha ingressado no Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (SINAPIR), do Governo Federal, que atua como forma de organização e articulação voltados à implementação do conjunto de políticas e de serviços direcionados para superação do racismo. A Coordenadoria era atuante, com várias políticas desenvolvidas desde 2017.
Ela acrescentou que o Núcleo já não discute políticas para o setor, o que faz perder força. Com o ingresso no Sinapir e a pontuação em nível intermediário, a Coordenadoria tinha conseguido o aparelhamento, com estrutura básica disponibilizada pelo Ministério da Igualdade Racial. “Só conseguiu porque tinha poder de discutir políticas, ações voltadas para política de implementação de igualdade racial”, disse.
Ações do Campo Grande sem Racismo, termo de cooperação entre secretarias e a discussão para criação do Plano Municipal de Igualdade Racial são algumas das ações desenvolvidas pela Coordenadoria, conforme Andreia Ferreira. “Agora com essa reestruturação, não tem legitimidade para discutir o Plano Municipal da Igualdade Racial”, alertou.
Ainda, seria criado o Fundo da Igualdade Racial, algo previsto pelo Ministério. Desta forma, Campo Grande passaria a receber verbas do Governo Federal, diante da demonstração das ações de enfrentamento ao racismo.
Na Tribuna, Andreia explicou ainda que a Rede FortaleSer é uma iniciativa do Governo do Estado, que possibilita a união de forças com diversas secretarias estaduais e sociedade civil para implementação de políticas e protocolos de enfrentamento ao racismo.
A vereadora Luiza Ribeiro, autora do convite para Andreia Ferreira falar na Tribuna, destacou a importância dessa luta e de alertar sobre o que tem acontecido em Campo Grande. “A administração não pode ter essa conduta”, disse, ao criticar a política que já estava organizada, conforme a política nacional, e vem sendo desmontada pela atual gestão municipal. Ela citou a necessidade de sermos antirracista, seguindo as normas brasileiras. O caso, segundo a vereadora, será levado ao Ministério Público para que as políticas de enfrentamento ao racismo sejam retomadas em Campo Grande.