Pacotão de asfalto de Adriane deixa Barra da Tijuca de fora e expõe cobrança sobre representação de Fábio Rocha
A Barra da Tijuca, no entanto, não aparece entre os bairros beneficiados nesta etapa.
Enquanto a Prefeitura de Campo Grande anuncia um novo pacote milionário de pavimentação asfáltica para 28 bairros da Capital, um detalhe chamou atenção nos bastidores políticos: o bairro Barra da Tijuca ficou de fora da primeira etapa de obras anunciada pela gestão da prefeita Adriane Lopes (PP).
A exclusão da localidade não passou despercebida, principalmente porque a região do Tijuca/Lagoa tem hoje um representante na Câmara Municipal, o vereador Fábio Rocha (União Brasil), eleito justamente com forte ligação comunitária naquela área da cidade.
No pacote oficial divulgado pela administração municipal, a Prefeitura confirma que R$ 136 milhões, por meio de operação de crédito com a Caixa Econômica Federal, serão destinados à primeira etapa de pavimentação em Campo Grande. Com contrapartida do município, o investimento total chega a R$ 143.266.357,27.
Entre os bairros contemplados, aparece o eixo “Tijuca/Verdes Mares”, o que reforça ainda mais o desconforto entre moradores e lideranças da região da Lagoa, que esperavam um alcance mais amplo das obras. A Barra da Tijuca, no entanto, não aparece entre os bairros beneficiados nesta etapa.
Base eleitoral sem resposta
Nos bastidores, a leitura é inevitável: a gestão contemplou parte do território ligado ao vereador, mas deixou de fora justamente uma área que também integra sua base política e comunitária.
A situação pode gerar desgaste, já que a pavimentação costuma ser uma das pautas mais sensíveis em bairros periféricos e em expansão urbana, onde moradores convivem historicamente com poeira no tempo seco e lama em períodos chuvosos.
Para quem acompanha a política local, a ausência da Barra da Tijuca no cronograma inicial levanta uma pergunta simples: quem está, de fato, defendendo a região da Lagoa dentro do pacote de prioridades da Prefeitura?
Investimento bilionário em etapas
A Prefeitura informou que essa é apenas a primeira fase de um planejamento maior, que prevê investir até R$ 500 milhões em pavimentação asfáltica até 2028.
Segundo a administração municipal, os recursos serão aplicados em obras de implantação de pavimentação e qualificação viária, com foco em mobilidade urbana e qualidade de vida.
Foram listados como contemplados nesta primeira etapa os bairros:
Vila Nossa Senhora Aparecida, Bosque da Saúde, Jardim Noroeste, Vilas Boas, Jardim Auxiliadora, Nova Tiradentes, Jardim Vitória, Anhembi, Jardim Itamaracá, Moreninha IV, Moreninha III, Jardim Los Angeles, Parque Residencial Lisboa, Porto Galo, Aero Rancho, Vila Nogueira, Vila Amapá, Jardim das Nações, Guanandi II, Tarumã, Coophavila II, Jardim Batistão, Jardim Santa Emília, Jardim São Conrado, Tijuca/Verdes Mares, Parque dos Girassóis, Jardim Oliveira e Residencial Flores.
A assinatura das operações de crédito será realizada nesta sexta-feira (10), às 10h30, no estande da Prefeitura durante a Expogrande 2026.
Cobrança deve aumentar
Com a oficialização do financiamento e a divulgação da lista de bairros beneficiados, a tendência é que a cobrança aumente entre moradores da Barra da Tijuca e de outras áreas ainda não incluídas.
Na prática, o anúncio que deveria ser apenas positivo para a gestão municipal também abre espaço para desgaste político: quando a obra chega ao bairro vizinho e não entra na sua rua, o discurso técnico rapidamente vira cobrança eleitoral.
E, neste caso, a pergunta já começou a circular na região da Lagoa: se até o bairro com representação política direta ficou fora, quem vai responder por isso?