Moradora de Campo Grande lança primeiro livro na Bienal Internacional do Livro de São Paulo
Há 11 anos em Campo Grande, psicopedagoga estreia como escritora na Bienal de São Paulo
Uma carioca moradora de Campo Grande estará entre os autores da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, o maior evento literário do país. A psicopedagoga Dejane Menezes, que vive na capital sul-mato-grossense há 11 anos, lança em 5 de setembro seu primeiro livro, Alicerces da Fé, pela Scortecci Editorial.
O número de adolescentes brasileiros que se declaram sem religião cresceu 41,9% em pouco mais de uma década, segundo levantamento da Unifesp em parceria com a USP divulgado em 2026. Entre jovens de 16 a 24 anos, os “sem religião” já chegam a um quarto da população. E há um dado que contraria a intuição: quanto maior a escolaridade, maior o afastamento.
Para a psicopedagoga Dejane Menezes, esses números não descrevem uma crise de fé. Descrevem uma falha de método.
“Eles não perderam a fé. Perderam o fundamento”, afirma a autora. “Aprenderam o que acreditar, mas nunca por quê. Quando encontram o primeiro contra-argumento sério, não têm com que responder.”
É essa tese que sustenta Alicerces da Fé, seu primeiro livro, que chega às livrarias com lançamento na 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, em 5 de setembro de 2026, pela Scortecci Editorial.
O argumento científico
Especialista em neuropsicologia e pós-graduanda em neurociência aplicada pela Faculdade Sírio-Libanês, Dejane parte de uma distinção consolidada na literatura sobre sistemas de memória. Informação decorada sem contexto emocional é processada pela memória semântica declarativa — o sistema mais frágil do cérebro, fácil de gravar e igualmente fácil de esquecer. Já as experiências vividas com carga emocional entram na memória episódica, que produz retenção de décadas.
“Noventa e nove por cento dos currículos de escola dominical operam exclusivamente no sistema mais frágil”, diz a autora. “Dados, histórias, versículos. É exatamente o tipo de memória mais vulnerável ao questionamento externo.”
O livro recorre também ao conceito de “ilusão de aprendizagem”, descrito pela psicóloga cognitiva Marcia Linn: alunos que ouvem uma explicação clara, veem exemplos e respondem corretamente às atividades acreditam ter aprendido — mas não conseguem aplicar o conhecimento diante de uma situação nova, porque nunca o processaram em profundidade.