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Saúde

Vacinação é principal barreira contra o sarampo, orienta infectologista do Humap-UFMS

Especialista explica sintomas, transmissão, complicações e quando procurar atendimento

19 ago 2026 às 07h01 | Redação

African American small girl receiving COVID-19 vaccine at medical clinic.

Febre alta, mal-estar, coriza, conjuntivite e, posteriormente, manchas avermelhadas na pele estão entre os sinais que podem indicar sarampo. Com casos registrados da doença no país, reconhecer os sintomas e manter a vacinação em dia são medidas importantes para evitar a transmissão.

Para o infectologista Alexandre Bertucci, do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Humap-UFMS/HU Brasil), o aparecimento de novos casos no país não é motivo para pânico, mas representa um motivo concreto para reforçar a prevenção, especialmente com a conferência da caderneta de vacinação.

Embora não haja transmissão de casos de sarampo no momento em Mato Grosso do Sul, a circulação do vírus em outras regiões reforça a necessidade de vigilância no Estado. Até 18 de julho de 2026, a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES-MS) havia registrado 14 casos suspeitos da doença. Onze foram descartados e três permaneciam em investigação.

Uma doença que pode se espalhar rapidamente

O sarampo é uma doença viral altamente transmissível. A transmissão ocorre principalmente pelo ar, quando uma pessoa infectada tosse, espirra, fala ou mesmo respira. Segundo o Ministério da Saúde, uma pessoa com sarampo pode infectar até 18 pessoas não vacinadas. “A vacina, além de ser uma medida de proteção individual, também tem um papel muito importante como medida de prevenção coletiva”, destaca Bertucci.

A vacina tríplice viral, disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), protege contra sarampo, caxumba e rubéola. A primeira dose é indicada aos 12 meses e a segunda aos 15 meses. Para pessoas de 5 a 29 anos sem vacinação completa, são indicadas duas doses. Entre 30 e 59 anos, a recomendação é de pelo menos uma dose para quem não foi vacinado anteriormente.

Para Alexandre Bertucci, existem situações em que a vacinação é contraindicada. Entre elas estão a gestação, por se tratar de uma vacina de vírus vivo, e situações específicas de imunossupressão. O médico cita como exemplos transplantados de órgão sólido em período de imunossupressão importante e transplantados de medula óssea no momento inicial, quando há alteração importante da imunidade.

Sintomas exigem atenção

Os principais sinais, que costumam aparecer entre 7 a 21 dias após o contato com o vírus, são febre alta (acima de 38,5 °C), acompanhadas de tosse seca, coriza e conjuntivite. Posteriormente, podem surgir manchas avermelhadas na pele. “Elas costumam começar na cabeça e no rosto e depois se espalham pelo corpo. Também podem surgir pequenas manchas brancas no interior da boca, chamadas manchas de Koplik, consideradas uma apresentação típica da doença”, esclarece o infectologista.

Ao apresentar sinais suspeitos, a orientação é procurar atendimento na rede de saúde. O paciente deve informar quando os sintomas começaram incluindo o início da febre e o aparecimento das manchas, além de relatar eventual contato com casos suspeitos e viagens recentes para locais onde há transmissão.
“Sempre que isso acontecer, numa suspeita da doença, é importante avisar previamente no serviço de saúde sobre a suspeita para que a equipe se organize para o atendimento para diminuir a exposição a outras pessoas”, orienta.

Doença pode apresentar complicações

O sarampo pode apresentar desde quadros leves, sem complicações, até formas graves. Entre as complicações estão pneumonia, otite, diarreia com desidratação e, em casos graves, comprometimento do sistema nervoso, como encefalite, que pode levar à internação e ao risco de óbito.

As complicações são especialmente importantes entre crianças pequenas e pessoas com fatores de risco, como indivíduos desnutridos, gestantes e pacientes com comprometimento da imunidade, incluindo transplantados e pessoas que vivem com HIV.

Nas gestantes, além dos riscos para a própria mulher, a infecção também está relacionada a complicações para o bebê. Já em pacientes imunossuprimidos, podem ocorrer formas mais graves e disseminadas da doença e apresentações atípicas, que podem dificultar o diagnóstico e o cuidado adequado.

Circulação de pessoas exige vigilância

Mesmo quando os casos ocorrem em outros estados, Alexandre Bertucci ressalta que existe preocupação em Mato Grosso do Sul, devido à grande circulação de pessoas entre diferentes regiões do país e à extensa fronteira internacional.

Segundo o médico, uma pessoa infectada que esteja no período de transmissão pode viajar e introduzir o vírus em uma população que tenha indivíduos suscetíveis, principalmente pessoas não vacinadas. “Por isso que o surgimento dos casos, em qualquer região do país, acende um alerta para a gente conferir a situação vacinal das pessoas, aumentar a nossa vigilância com o objetivo de identificar rapidamente os casos que sejam suspeitos para evitar a disseminação da doença”, conclui.

Sobre a HU Brasil

O Humap-UFMS integra a HU Brasil desde dezembro de 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.