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Editorial: Fábio Rocha espera a ordem de Adriane Lopes para o asfalto sair do papel no Tijuca

Editorial do Blog do Bulhões

19 set 2026 às 16h54 | Redação

Foto: Izaias Medeiros

Os moradores dos bairros Tijuca e Verde Mares, em Campo Grande, já esperaram tempo demais. O tão sonhado asfalto deixou de ser apenas uma reivindicação antiga: o projeto foi aprovado e os recursos estão previstos. Agora, o que falta para a obra sair do papel é a assinatura da ordem de serviço pela Prefeitura.

E é justamente aí que começa a pergunta que precisa ser feita.

Se o projeto está aprovado, se existe recurso e se a população aguarda há anos uma solução para ruas que ainda enfrentam barro e poeira, por que a ordem de serviço ainda não foi assinada?

Enquanto documentos avançam dentro da estrutura administrativa, o morador continua enfrentando na prática os problemas de uma rua sem pavimentação. Quando chove, vem o barro. Quando o tempo seca, vem a poeira. E assim a espera se prolonga.

É importante reconhecer o papel do Legislativo na aprovação e na cobrança pela obra. Mas vereador não executa obra. A responsabilidade pela execução está nas mãos do Poder Executivo. E, neste momento, a decisão está no gabinete da prefeita Adriane Lopes.

Também chama atenção o cenário político envolvendo o vereador Fábio Rocha. Ex-secretário da própria administração, ele hoje cobra uma obra que interessa diretamente à população de uma região que representa. Durante a última eleição municipal, Rocha esteve no grupo político de Rose Modesto, adversária de Adriane Lopes.

Seria precipitado afirmar que essa circunstância política tenha qualquer relação com a demora. Não há, neste momento, elemento suficiente para fazer essa afirmação. Mas a situação naturalmente alimenta questionamentos e coloca sobre a Prefeitura a responsabilidade de explicar por que uma obra já aprovada ainda aguarda a ordem de serviço.

Política se faz com escolhas, alianças e disputas. Obras públicas, porém, precisam atender ao interesse da população.

Os moradores do Tijuca e do Verde Mares não deveriam precisar acompanhar os movimentos políticos para saber quando poderão deixar o barro para trás. Querem apenas uma resposta objetiva: quando a ordem de serviço será assinada e quando as máquinas vão chegar?

Fábio Rocha terá seus próprios desafios para demonstrar força e atuação política. A Prefeitura, por sua vez, tem uma obrigação ainda mais simples: transformar uma decisão aprovada em obra executada.

Porque projeto aprovado não pavimenta rua.

Recurso previsto não tira o morador do barro.

E assinatura, quando depende dela para a obra começar, precisa deixar de ser apenas uma formalidade pendente e se transformar em ação.

O morador já esperou demais.