Escola de Campo Grande fica sem merenda e servidores fazem vaquinha para alimentar alunos
Vereador fiscaliza escola da Reme, flagra desabastecimento de merenda e cobra providências da Prefeitura
O vereador Maicon Nogueira fiscalizou uma unidade da Rede Municipal de Ensino de Campo Grande, na região do São Conrado, após receber denúncias sobre a falta de alimentos destinados à merenda escolar. Durante a visita, o parlamentar constatou a ausência de itens básicos no estoque e ouviu relatos de servidores que estariam utilizando recursos próprios e fazendo “vaquinhas” para garantir a alimentação das crianças.
Segundo os relatos registrados durante a fiscalização, a unidade enfrentava falta de produtos como feijão, trigo, biscoito e açúcar. Diante da situação, servidores afirmaram que alguns alimentos precisaram ser comprados pela própria equipe para que fosse possível preparar as refeições.
Maicon chamou atenção especialmente para a situação das merendeiras. Segundo o vereador, profissionais que recebem cerca de R$ 1,5 mil por mês estariam tirando dinheiro do próprio bolso para comprar alimentos que deveriam ser fornecidos pelo Município.“Eles tiveram que fazer uma vaquinha para comprar trigo para fazer bolo, compraram açúcar. Eles estão desesperados. Servidores que ganham R$ 1.500 por mês estão fazendo vaquinha para comprar açúcar para dar lanche para as crianças”, afirmou Maicon durante a fiscalização.
Na conversa com servidoras da unidade, o vereador também questionou como estava sendo feita a alimentação das crianças. Conforme os relatos apresentados a ele, o café da manhã costuma incluir itens como leite, bolo, pão ou biscoito, mas parte dos produtos necessários já estava em falta.
Durante a fiscalização, Maicon afirmou ainda ter recebido informações de que outras unidades enfrentam situação semelhante, com servidores se organizando para comprar alimentos diante da falta de produtos. “Eu já fui em unidade onde o servidor faz uma cotinha para comprar alimento. É isso que a gente está fazendo?”, questionou.
Maicon também chamou atenção para a possibilidade de a escola não ter alimentos suficientes para preparar as próximas refeições caso uma nova entrega não fosse realizada. Em determinado momento da fiscalização, foi relatado que o estoque de feijão estava chegando ao fim e que outros insumos necessários para a preparação da merenda também estavam indisponíveis.
Diante da situação, o vereador entrou em contato com a Superintendência de Alimentação Escolar e pediu agilidade no abastecimento da unidade. Maicon solicitou ainda que fosse verificado o prazo de entrega dos produtos e, caso os alimentos já estivessem em rota, que a escola fosse priorizada.
Para o parlamentar, o problema precisa ser investigado para identificar por que unidades da Rede Municipal estão enfrentando problemas no abastecimento e na variedade dos alimentos oferecidos aos estudantes. “A gente quer entender por que a merenda em Campo Grande está chegando cada vez menos e com a qualidade cada vez menor nas nossas escolas”, declarou.
Maicon afirmou que continuará recebendo denúncias de pais e responsáveis e fiscalizando as unidades que relatarem problemas no fornecimento da alimentação escolar. Para o vereador, servidores que já recebem salários baixos não podem ser obrigados a comprometer a própria renda para suprir uma responsabilidade do poder público e garantir que as crianças tenham o que comer durante o período escolar.