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ALERTA

Fim da escala 6×1 preocupa empresários de Campo Grande por custos e falta de mão de obra

Associação Comercial de Campo Grande alerta para impactos econômicos do fim da escala 6x1

15 out 2026 às 15h43 | Redação

A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 sobre o fim da escala 6×1, foi aprovada no Senado na última quarta-feira (14/10) sem uma discussão suficientemente ampla com os setores produtivos. A decisão gera preocupação ao setor empresarial, especialmente em um cenário em que as empresas já enfrentam dificuldades para contratar mão de obra e lidam com custos elevados, alerta a Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG).
“É mudança estrutural na jornada de trabalho, com impactos diretos sobre a organização das empresas e o funcionamento da economia, isso exige responsabilidade, diálogo e uma avaliação aprofundada de suas consequências.  Não se trata apenas de reorganizar escalas, mas de compreender como essa mudança poderá afetar a produtividade, a competitividade dos negócios, os investimentos e a capacidade de geração de empregos,” avalia o presidente da ACICG, Omar Aukar.

A redução da jornada poderá elevar os custos operacionais, aumentar a necessidade de contratação de trabalhadores e pressionar a estrutura financeira das empresas, sobretudo das micro e pequenas, que possuem menor margem para absorver despesas adicionais. Em determinados setores, a dificuldade de recompor equipes pode levar à redução do horário de funcionamento, à limitação da capacidade de atendimento e à necessidade de rever modelos de operação.

“Também existe o risco de que parte desses custos seja repassada aos preços de produtos e serviços, com reflexos para os consumidores, além de possíveis impactos sobre investimentos e novas contratações”, considera Aukar.

A pesquisa realizada pela ACICG em Campo Grande reforça a dimensão desse desafio: 84,7% das empresas consultadas afirmaram enfrentar dificuldades para contratar mão de obra, e 44,8% estimam que precisarão ampliar suas equipes para manter a operação em uma escala 5×2. Esses dados demonstram que a transição não ocorrerá em condições iguais para todos os segmentos e que seus efeitos precisam ser considerados de forma abrangente.

A ACICG defende que a regulamentação da medida seja conduzida com diálogo efetivo entre o poder público, os representantes dos trabalhadores e o setor produtivo, levando em conta as particularidades de cada atividade econômica.

“É necessário avaliar os impactos sobre a sustentabilidade das empresas, a manutenção e a criação de empregos, a competitividade e a continuidade dos serviços essenciais à população. Melhorar as condições de trabalho é uma pauta relevante, mas essa transformação precisa ser acompanhada de planejamento e de regras que considerem a realidade econômica do país, para que seus efeitos não comprometam a atividade produtiva, os pequenos negócios e a própria sociedade,” finaliza o presidente.