Alimentação tem data especial no calendário da saúde
Data reforça a importância da nutrição adequada para a qualidade de vida
O Dia Mundial da Alimentação (16/10) foi instituído pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância da segurança alimentar, da nutrição adequada e do combate à fome. No ambiente hospitalar, a alimentação é um aspecto fundamental do tratamento e da recuperação dos pacientes. Nesse contexto, Ticiane Viana, nutricionista do Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT), vinculado à HU Brasil, aborda o tema e orienta sobre a importância de uma alimentação adequada.
A nutrição hospitalar vai muito além de oferecer uma refeição: ela faz parte do tratamento e é fundamental para a recuperação do paciente. Ticiane Viana destaca que o alimento, quando planejado de forma individualizada e com finalidade terapêutica, também é uma forma de cuidado e pode ser um grande aliado da medicina. “Costumo dizer que, no hospital, cada refeição tem um propósito terapêutico. Por trás de cada dieta existe ciência, planejamento e cuidado. Afinal, o nutricionista não trata apenas uma doença: cuida de pessoas que precisam recuperar suas forças, sua saúde e sua qualidade de vida”, afirma a especialista.
No HDT-UFNT, os profissionais de nutrição estão distribuídos em equipes com funções específicas. Os nutricionistas clínicos são responsáveis pela avaliação e pelo acompanhamento do estado nutricional dos pacientes, pela identificação do risco nutricional e pela definição da conduta dietoterápica, conforme as necessidades individuais e as condições clínicas.
Já os nutricionistas do setor de Hotelaria Hospitalar atuam na fiscalização e no acompanhamento dos contratos de prestação de serviços de alimentação, monitorando a qualidade, o cumprimento das obrigações contratuais e outros aspectos relacionados à higiene e às condições adequadas das refeições. No Serviço de Nutrição e Dietética (SND), os profissionais respondem pela organização e pelo acompanhamento das atividades de produção e distribuição das refeições, incluindo o planejamento dos cardápios e o controle da qualidade higiênico-sanitária.
O acompanhamento nutricional também se estende após a alta hospitalar. Nessa etapa, os profissionais orientam os pacientes de acordo com suas necessidades, com o objetivo de favorecer a recuperação e prevenir complicações.
Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), um dos principais desafios atuais da saúde pública é a mudança nos padrões alimentares. A entidade aponta que fatores como a expansão da oferta de alimentos processados e ultraprocessados, a urbanização e as mudanças no estilo de vida contribuem para o aumento do consumo de produtos ricos em gorduras, açúcares e sódio. Em contrapartida, frutas, verduras e legumes ocupam cada vez menos espaço na alimentação cotidiana da população.
Ticiane reforça que bons hábitos alimentares contribuem para prevenir doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e obesidade, favorecendo a saúde e a qualidade de vida. “Pequenas mudanças, como valorizar alimentos naturais, incluir mais frutas, verduras, legumes e feijão nas refeições e resgatar o prazer de cozinhar, podem fazer uma grande diferença. Mais do que prevenir doenças, queremos incentivar uma relação mais consciente e prazerosa com a comida, promovendo saúde e qualidade de vida”, garante.
Alimentação e saúde
Estudos científicos demonstram os impactos negativos do consumo excessivo de produtos ultraprocessados para a saúde. Informações sobre o tema estão disponíveis no relatório do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), realizado anualmente pelo Ministério da Saúde e acessível na Biblioteca Virtual em Saúde. A ferramenta monitora fatores de risco para doenças crônicas na população brasileira e acompanha a evolução do estado nutricional e dos hábitos alimentares, fornecendo subsídios para o enfrentamento das doenças crônicas não transmissíveis.
Informações mais recentes mostram um crescimento das enfermidades associadas ao excesso de peso e à alimentação inadequada. Entre 2006 e 2024, houve aumento de 118% na prevalência da obesidade, de 135% nos casos de diabetes e de 31% na hipertensão arterial entre adultos brasileiros. Especialistas da área destacam que essas condições estão fortemente relacionadas ao padrão alimentar caracterizado pelo maior consumo de produtos ultraprocessados e pela redução da ingestão de alimentos in natura. Neste link é possível ter acesso ao relatório na íntegra e saber mais sobre esse assunto.
Além de informações sobre os malefícios da má alimentação, a Biblioteca Virtual de Saúde do Ministério da Saúde também disponibiliza o Guia Alimentar para População Brasileira, um documento oficial, com base em evidências científicas, que estabelece diretrizes sobre alimentação saudável, adaptada à realidade cultural e social do Brasil.
Sobre a HU Brasil
O HDT-UFNT integra a Rede HU Brasil desde 2015. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.