Após 20 anos de luta, Rádio Comunitária Líder FM 106,3 entra no ar e promete dar voz à região do Guanandi
A emissora nasceu com a missão de aproximar a comunidade e abrir espaço para as demandas da população.
Depois de duas décadas de espera, desafios e perseverança, a Rádio Comunitária Líder FM 106,3 já está no ar, em caráter experimental, levando música, informação e, principalmente, um compromisso social para os moradores do Bairro Guanandi e de toda a região do Anhanduizinho, em Campo Grande. Instalada na Rua Jussara, a emissora nasceu com a missão de aproximar a comunidade e abrir espaço para as demandas da população.
Neste sábado, o jornalista Jhoseff Bulhões visitou os estúdios da rádio e conversou com o diretor-geral da emissora, Jorginho, conhecido como Jota Jota, que não escondeu a emoção ao falar sobre a realização de um sonho aguardado por mais de 20 anos.
“Foi a realização de um sonho, graças a Deus. Você não sabe o quanto eu andei de joelhos pagando promessa. Foram 20 anos de luta para conseguir colocar essa rádio no ar”, contou.
Segundo ele, a emissora ainda está em fase de testes, enquanto a equipe trabalha para concluir os últimos detalhes da estrutura técnica e administrativa antes da operação definitiva.
“Estamos em teste experimental. Logo, logo estaremos funcionando plenamente para atender a população do Guanandi e dos bairros da região. Ainda faltam alguns ajustes, como a instalação do telefone, mas estamos trabalhando para finalizar tudo”, explicou.
Muito além da programação musical
Mesmo antes da programação completa entrar no ar, a Líder FM já demonstra que pretende exercer um papel que vai além da comunicação.
Jota Jota destaca que a rádio nasceu para servir à comunidade, oferecendo apoio social às famílias que mais precisam.
“Nós gostamos de conquistar cadeira de rodas, colchão d’água, cadeira de banho. Quem precisar pode vir conversar conosco. Também emprestamos cadeiras para festas de famílias, equipamento de som… Nosso objetivo é ajudar as pessoas.”

Para o diretor, esse é o verdadeiro papel de uma rádio comunitária.
“Não estamos aqui para criticar ninguém. Estamos aqui para trabalhar pela população. É isso que queremos fazer.”
Cinco apreensões e uma luta que não parou
A conquista da concessão também carrega uma história marcada por persistência.
Antes da autorização oficial, Jota Jota operou emissoras sem licença e enfrentou diversas fiscalizações da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e da Polícia Federal.
“Foram cinco vezes. A Anatel e a Polícia Federal vinham, apreendiam tudo e a gente respondia processo. Não foi fácil. Mas nunca desistimos desse sonho.”
Mesmo diante das dificuldades, ele afirma que a vontade de servir à população sempre falou mais alto.

Comunicação comunitária
Ainda com programação predominantemente musical durante o período de testes, a expectativa é que, em breve, a emissora amplie sua grade com programas voltados à informação local, prestação de serviços e participação popular.
A recepção dos moradores, segundo Jota Jota, já tem sido bastante positiva.
“O pessoal para a gente na rua e dá parabéns. Isso mostra que a comunidade estava esperando uma rádio que falasse dos bairros e ajudasse as pessoas.”
Sem fins lucrativos e mantida pelo esforço da diretoria e de voluntários, a Líder FM inicia sua trajetória reforçando o espírito das rádios comunitárias: aproximar a informação da população, fortalecer os laços entre os moradores e servir como instrumento de cidadania para a região do Guanandi e bairros vizinhos.