Após críticas à ausência dos vereadores, Papy visita bairros de Campo Grande
Editorial desta quinta-feira | Blog do Bulhões
A política tem uma característica curiosa: quando a cobrança vem das ruas e também da imprensa, alguns agentes públicos parecem despertar para aquilo que deveria ser rotina no mandato. Foi exatamente o que aconteceu com o presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, o vereador Epaminondas Vicente Silva Neto, conhecido como Papy (PSDB).
Depois de críticas públicas feitas pelo Blog do Bulhões sobre a ausência das sessões comunitárias e o distanciamento de muitos vereadores da realidade dos bairros, o presidente da Casa de Leis resolveu colocar o pé na rua. Na terça-feira (04), Papy esteve nos bairros Guanandi e Oliveira, conversando com moradores e acompanhando demandas da comunidade.
É claro que a iniciativa merece registro. Afinal, a função de um vereador não se resume às paredes do plenário ou às articulações de gabinete. O mandato nasce no voto popular e precisa ser exercido nas ruas, onde estão os problemas reais da cidade. Campo Grande não cabe apenas nos corredores da Câmara.
Mas a pergunta que ecoa nos bairros da Capital Morena é inevitável: essa presença será permanente ou apenas uma reação momentânea às críticas?
A política local já cansou de ver movimentos pontuais que surgem após pressão popular ou exposição na imprensa. A visita aos bairros é importante, mas precisa se transformar em prática constante — e não em agenda eventual para melhorar a imagem.
Papy está no terceiro mandato como vereador e hoje ocupa a presidência da Câmara Municipal, posição que lhe confere ainda mais responsabilidade política e simbólica perante a população.
Mais do que visitar bairros, cabe ao presidente da Casa dar exemplo aos demais parlamentares. A Câmara de Campo Grande precisa reconectar seus vereadores com a população, principalmente em um momento em que cresce a sensação de distanciamento entre representantes e representados.
Se a crítica serviu para provocar movimento, então ela já cumpriu parte do seu papel. A imprensa existe justamente para isso: fiscalizar, provocar debate e cobrar atitudes.
Agora resta saber se essa nova disposição para caminhar pelos bairros será um gesto isolado ou o início de uma postura permanente.
Porque a população não espera visitas ocasionais.
Espera presença.