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Editorial

Após críticas à ausência dos vereadores, Papy visita bairros de Campo Grande

Editorial desta quinta-feira | Blog do Bulhões

05 mar 2026 às 07h01 | Redação

Foto: Reprodução/Instagram

A política tem uma característica curiosa: quando a cobrança vem das ruas e também da imprensa, alguns agentes públicos parecem despertar para aquilo que deveria ser rotina no mandato. Foi exatamente o que aconteceu com o presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, o vereador Epaminondas Vicente Silva Neto, conhecido como Papy (PSDB).

Depois de críticas públicas feitas pelo Blog do Bulhões sobre a ausência das sessões comunitárias e o distanciamento de muitos vereadores da realidade dos bairros, o presidente da Casa de Leis resolveu colocar o pé na rua. Na terça-feira (04), Papy esteve nos bairros Guanandi e Oliveira, conversando com moradores e acompanhando demandas da comunidade.

É claro que a iniciativa merece registro. Afinal, a função de um vereador não se resume às paredes do plenário ou às articulações de gabinete. O mandato nasce no voto popular e precisa ser exercido nas ruas, onde estão os problemas reais da cidade. Campo Grande não cabe apenas nos corredores da Câmara.

Mas a pergunta que ecoa nos bairros da Capital Morena é inevitável: essa presença será permanente ou apenas uma reação momentânea às críticas?

A política local já cansou de ver movimentos pontuais que surgem após pressão popular ou exposição na imprensa. A visita aos bairros é importante, mas precisa se transformar em prática constante — e não em agenda eventual para melhorar a imagem.

Papy está no terceiro mandato como vereador e hoje ocupa a presidência da Câmara Municipal, posição que lhe confere ainda mais responsabilidade política e simbólica perante a população.

Mais do que visitar bairros, cabe ao presidente da Casa dar exemplo aos demais parlamentares. A Câmara de Campo Grande precisa reconectar seus vereadores com a população, principalmente em um momento em que cresce a sensação de distanciamento entre representantes e representados.

Se a crítica serviu para provocar movimento, então ela já cumpriu parte do seu papel. A imprensa existe justamente para isso: fiscalizar, provocar debate e cobrar atitudes.

Agora resta saber se essa nova disposição para caminhar pelos bairros será um gesto isolado ou o início de uma postura permanente.

Porque a população não espera visitas ocasionais.
Espera presença.