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Política

Após investigação do MPE, Governo exonera assessor da Casa Civil com salário de R$ 24 mil

Governo exonera assessor da Casa Civil investigado por suspeita de cobrança de propina

15 out 2026 às 13h03 | Redação

Foto: Reprodução

Investigado por cobrar propina sobre o repasse de R$ 8,5 milhões para a reforma do hospital em Sidrolândia, Sérgio Roberto Castilho Vieira, o Serginho, é assessor especial da Casa Civil e ganha salário mensal de R$ 24,6 mil por mês. Ex-assessor do deputado federal Dagoberto Nogueira (PP), ele tem cargo comissionado no Governo do Estado desde novembro de 2021, quando deixou o cargo na Câmara dos Deputados.

Serginho foi um dos 25 alvos da 2ª fase da Operação Dirty Pix, deflagrada pelo Ministério Público Estadual no dia 7 deste mês para investigar o desvio de R$ 18 milhões do Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa, em Sidrolândia.

A juíza May Melke Penteado Amaral Siravegna, do Núcleo de Garantias, também determinou o sequestro de R$ 290 mil e a quebra dos sigilos bancário e fiscal do assessor da Casa Civil. Ele é investigado pelos crimes de corrupção passiva e organização criminosa no esquema comandada pelo diretor-presidente do hospital, Jacob Meeuwis Breure.

A quebra do sigilo telemática revelou as mensagens entre Serginho e Jacob. Quando houve a liberação da primeira parcela, de R$ 1,7 milhão, dos R$ 8,5 milhões acertados com a Itaipu Binacional, ele informa o presidente da Sociedade Beneficente: “vai fazer 8º grau na segunda”. Para o MPE, era um aviso de que o dinheiro seria liberado. E realmente houve o primeiro repasse.

Logo depois, no dia 26 de agosto do ano passado, ele passa a pressionar Breure. “Não vai avisar que tá com a grana?”, questiona. “KKK tá com sede, né?”, questiona o chefe do hospital. “Acalma o coração”, aconselha.

Em outra mensagem, Serginho responde: “tô com sede… não bebo água faz tempo”, apontou o GECOC (Grupo Especial de Combate à Corrupção). No dia 3 de setembro de 2024, eles acertam o pagamento de R$ 290 mil em duas notas, uma por R$ 210 mil por um projeto arquitetônico inexistente. E outra de R$ 80 mil. Uma foi emitida pelo hospital e, a outra, pela Global Produtos Agropecuárias, empresa de Jacob Breure usada no esquema.

O MPE aponta que houve o pagamento de propina para Serginho em outras duas ocasiões, mas os repasses teriam sido feitos em espécie. No relatório, os promotores Adriano Lobo Viana de Resende, Bianka Mendes e Humberto Lapa Ferri citam encontros entre Serginho e Jacob nos meses de novembro e dezembro de 2024.

Assessor do Governo

Conforme o Portal da Transparência, Serginho está lotado como assessor especial nível III, com salário de R$ 24.617,25. O valor líquido ficou em R$ 18 mil. Ele está no Governo do Estado desde novembro de 2021, na gestão de Reinaldo Azambuja (PL), quando foi nomeado para a função, assessor da Casa Civil pela primeira vez.

Alvo da Operação Dirty Pix é funcionário comissionado do Governo desde novembro de 2021 (Foto: Reprodução)

Com a eleição de Eduardo Riedel (PP), ele foi reconduzido para a mesma função em janeiro de 2023, conforme a publicação feita no Diário Oficial do Estado.

A cobrança da suposta propina ocorreu entre agosto e dezembro de 2024. Nesse período, de acordo com o Portal da Transparência, Serginho tinha salário mensal de R$ 22.571,65 – o valor representava, na época, 15 salários mínimos.

Na avaliação de desempenho individual, publicada em 14 de junho de 2024 pelo então secretário-chefe da Casa Civil, Eduardo Rocha, Serginho obteve a nota 81,19. Já na avaliação publicada no dia 20 de fevereiro do ano passado, ele foi avaliado como funcionário exemplar: nota 100.

Funcionário exemplar: Serginho obteve nota 100 em avaliação de desempenho individual (Foto: Reprodução)

O Jacaré procurou o Governo do Estado sobre a situação do assessor na quarta-feira. Nesta quinta-feira (15), houve a publicação da exoneração no Diário Oficial.

Fonte: O Jacaré