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Editorial

Cadê os shows? Campo Grande vive um apagão na cultura e nos eventos

Uma Capital com quase 1 milhão de habitantes não pode se acostumar com uma agenda cultural cada vez mais tímida

10 ago 2026 às 11h40 | Redação

Foto: Ilustração

Campo Grande já viveu dias melhores quando o assunto era cultura, entretenimento e grandes eventos. A Cidade Morena já recebeu shows nacionais de peso, festivais, eventos que reuniam milhares de pessoas e movimentavam não apenas o setor cultural, mas também hotéis, restaurantes, bares, comércio, transporte e toda uma cadeia econômica.

Hoje, a sensação é outra.

Campo Grande parece ter parado no tempo.

E o mais preocupante é que, enquanto a população cobra uma cidade mais viva, dinâmica e com opções de lazer, parte do poder público parece viver em uma realidade paralela.

Os campo-grandenses querem eventos. Querem grandes shows. Querem festivais. Querem cultura. Querem ocupar os espaços públicos. Querem uma Capital que tenha programação durante todo o ano — e não apenas em datas comemorativas.

Mas fica a pergunta: por onde andam os projetos?

Onde estão as iniciativas capazes de transformar Campo Grande em uma referência cultural e de entretenimento no Centro-Oeste?

A Fundação Municipal de Cultura tem apresentado o quê de realmente relevante para mudar esse cenário? E a Secretaria de Cultura do Estado? Onde está a política pública cultural capaz de colocar Mato Grosso do Sul, e principalmente sua Capital — novamente no circuito dos grandes eventos?

Também é impossível ignorar a atuação do secretário municipal de Cultura, Valdir Gomes. A população precisa saber quais são os projetos, quais são as metas e, principalmente, qual é o planejamento para recuperar a força cultural de Campo Grande.

Não basta aparecer em agendas, reuniões e solenidades. É preciso apresentar resultados.

A cultura não pode ser tratada como um departamento destinado apenas a organizar calendário oficial e eventos pontuais. Cultura também é economia, turismo, geração de emprego, oportunidade para artistas e, sobretudo, qualidade de vida.

Enquanto outras cidades disputam grandes atrações, criam festivais, movimentam seus centros e transformam eventos em ferramentas de desenvolvimento, Campo Grande corre o risco de ficar para trás.

E não é apenas a cultura que enfrenta questionamentos.

A própria Câmara Municipal de Campo Grande atravessa um momento de forte desgaste perante a população. A percepção de parte dos cidadãos é de que muitos parlamentares estão cada vez mais distantes dos problemas reais da cidade.

E por que será?

Talvez porque seja mais fácil discutir os interesses do próprio ambiente político do que ouvir quem está nas ruas.

O cidadão quer saúde funcionando, ruas cuidadas, segurança, transporte, lazer e uma cidade com vida. Quer sair de casa no fim de semana e ter opções. Quer levar os filhos para um evento. Quer assistir a um artista nacional sem precisar viajar para outro Estado.

Isso também é política pública.

Campo Grande está prestes a completar mais um aniversário. No próximo dia 26 de agosto, a Capital comemora mais um ano de história.

Mas fica uma pergunta incômoda:

Será que temos realmente o que comemorar?

Uma cidade não se resume a obras, discursos, solenidades e fotografias oficiais.

Uma cidade também é feita de gente.

E gente precisa de cultura, lazer, entretenimento, arte e espaços de convivência.

Campo Grande precisa voltar a ter orgulho da sua agenda cultural.

Precisa voltar a receber grandes artistas.

Precisa voltar a produzir grandes eventos.

Precisa voltar a movimentar seus espaços.

E, acima de tudo, precisa de gestores que compreendam que cultura não é gasto: é investimento na própria cidade.

O campo-grandense não está pedindo luxo.

Está pedindo uma Capital viva.

Por onde andam os grandes eventos de Campo Grande?

Essa pergunta não é apenas do Blog do Bulhões.

É a pergunta de uma população que olha para o calendário e começa a perceber que, enquanto a cidade cresce em número de habitantes, sua agenda cultural parece encolher.

No aniversário da Capital, talvez o maior presente que o poder público pudesse oferecer fosse justamente aquilo que a população está pedindo há tempos:

uma cidade que volte a acontecer.