Campo Grande afunda na chuva e na falta de gestão de Adriane Lopes
EDITORIAL | BLOG DO BULHÕES
Campo Grande voltou a enfrentar os velhos problemas depois de mais um temporal. Alagamentos, ruas comprometidas, buracos, transtornos no trânsito e bairros que seguem enfrentando falta de água e energia horas depois da chuva. E diante de mais um cenário conhecido, a pergunta inevitável é: até quando a população vai pagar pela falta de planejamento da administração municipal?
Não é a primeira chuva forte e, infelizmente, também não é a primeira vez que Campo Grande demonstra fragilidade diante das águas. O problema deixou de ser apenas a intensidade do temporal. É preciso discutir a capacidade do município de prevenir, responder e solucionar problemas que se repetem.
A Prefeitura precisa explicar. O secretário responsável pelas obras precisa explicar. E a prefeita Adriane Lopes precisa dar respostas à população.
Onde está o planejamento?
Prever chuvas fortes, preparar equipes, identificar pontos críticos, acompanhar sistemas de drenagem e estabelecer protocolos de emergência não deveria ser novidade para uma administração municipal. O que não parece razoável é a cidade repetir os mesmos dramas a cada temporal e, depois, correr para tentar consertar os estragos.
A população não quer apenas máquinas nas ruas depois que tudo aconteceu. Quer prevenção.
Quer saber por que determinados bairros continuam alagando. Quer saber por que existem ruas em condições precárias. Quer saber por que serviços essenciais são interrompidos e, principalmente, quer saber quem será responsabilizado quando a estrutura pública não funciona como deveria.
Campo Grande não pode ser administrada no improviso.
A prefeita Adriane Lopes precisa compreender que o desgaste não está apenas nas redes sociais. Está nas ruas. Está no motorista que enfrenta uma via alagada, no morador que não consegue sair de casa, na família que fica sem energia, no comerciante que contabiliza prejuízos e nos bairros que convivem há anos com problemas que parecem nunca ter solução definitiva.
E o que fazem os vereadores diante disso?
A Câmara Municipal também precisa reagir. Fiscalização não pode existir apenas quando convém politicamente. Os parlamentares precisam cobrar informações, convocar responsáveis, acompanhar obras, verificar contratos e exigir que a Prefeitura apresente um plano concreto para os pontos críticos da Capital.
Não dá para normalizar o anormal.
Também não basta colocar toda a responsabilidade sobre a chuva. Mesmo que o volume registrado seja elevado, a pergunta continua sendo válida: o que foi feito antes dela?
Uma administração eficiente não pode ser avaliada somente pela capacidade de apagar incêndios depois da crise. É preciso avaliar a capacidade de antecipar problemas.
Campo Grande tem recursos, técnicos, estrutura e orçamento. O que a população precisa saber é se existe, de fato, uma estratégia capaz de transformar esses recursos em soluções.
Adriane Lopes ainda tem a responsabilidade de mostrar que sua administração consegue fazer mais do que reagir aos problemas. Caso contrário, cada nova chuva continuará funcionando como um raio-X da Prefeitura: revela buracos, alagamentos, deficiência de infraestrutura e, acima de tudo, a necessidade de respostas mais eficientes.
A prefeita precisa repensar os rumos da administração e ouvir o que as ruas estão dizendo.
Campo Grande está cansada de promessas, remendos e soluções temporárias.
A cidade precisa de planejamento.
Precisa de obras que funcionem.
Precisa de prevenção.
Precisa de respostas.
E, acima de tudo, precisa de uma gestão preparada para administrar Campo Grande também quando a chuva chegar.
Porque, até agora, a impressão que fica é dura e preocupante:
a chuva passa, mas Campo Grande continua no buraco.