2
Campo Grande - MS Busca
Política

Com 95% de verbas públicas, Santa Casa de Campo Grande é alvo de pedido de auditoria no Ministério da Saúde

Operação Antidotum aponta suspeitas de fraudes e prejuízo milionário

02 out 2026 às 09h01 | Redação

O vereador Jean Ferreira (PT) esteve no Ministério da Saúde solicitando uma auditoria federal na Santa Casa de Campo Grande para apurar a aplicação dos recursos públicos destinados à instituição. A iniciativa ocorre em meio à crise financeira enfrentada pelo hospital e às denúncias de irregularidades reveladas pela Operação Antidotum, deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

Para Jean, a dimensão dos recursos públicos envolvidos exige transparência e fiscalização rigorosa. Segundo o vereador, aproximadamente 95% dos recursos que mantêm a Santa Casa são públicos, o que torna indispensável esclarecer como o dinheiro está sendo administrado.

“Estamos falando de dinheiro público, de recursos do SUS e de um hospital que atende milhares de pessoas. A população tem o direito de saber onde esse dinheiro está sendo aplicado. Não podemos aceitar que faltem recursos para garantir o atendimento enquanto contratos e pagamentos estão sob investigação”, afirma Jean.

Operação Antidotum aponta suspeitas de fraudes e prejuízo milionário

Deflagrada pelo MPMS em setembro de 2026, a Operação Antidotum investiga suspeitas de fraudes em contratos da Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande e da Operadora Santa Casa Saúde.

De acordo com o Ministério Público, somente em 2025, aproximadamente R$ 9,6 milhões foram pagos pela operadora a empresas ligadas a um dos grupos investigados. O prejuízo inicialmente estimado nesse núcleo é de pelo menos R$ 3,5 milhões.

A investigação também identificou suspeitas de pagamentos sem a comprovação adequada da prestação dos serviços, além de contratos e prestações de contas que não teriam sido disponibilizados aos órgãos de controle.

Outro ponto envolve um contrato de digitalização de prontuários, que previa R$ 5,4 milhões ao longo de três anos. Segundo o MPMS, no primeiro ano, o desvio identificado foi de R$ 1,4 milhão.

Auditoria identificou falhas na prestação de contas

Além das investigações do Ministério Público, uma auditoria da Controladoria-Geral do Estado (CGE) sobre recursos do SUS apontou inconsistências contábeis, fragilidades nos controles internos e pagamentos sem documentação suficiente para comprovar a execução dos serviços.

Os apontamentos também levantaram questionamentos sobre a consolidação das demonstrações financeiras da Santa Casa e de sua operadora de saúde, dificultando o acompanhamento das movimentações entre as duas estruturas.

Para Jean, os fatos reforçam a necessidade de ampliar a fiscalização para a esfera federal, considerando a participação de recursos da União no financiamento da instituição.

“Não estamos falando de uma empresa qualquer. Estamos falando de um hospital que é fundamental para a saúde pública de Mato Grosso do Sul. A fiscalização precisa alcançar cada contrato, cada repasse e cada centavo de dinheiro público”, destaca.

Pedido ao Ministério da Saúde

O requerimento apresentado ao Ministério da Saúde busca apurar a destinação dos investimentos federais realizados na Santa Casa, verificar a regularidade dos contratos e identificar se os recursos transferidos para a instituição foram efetivamente aplicados na assistência à população.

A iniciativa também pretende ampliar a transparência sobre a utilização das verbas públicas e contribuir para que eventuais irregularidades sejam identificadas e responsabilizadas pelos órgãos competentes.

“Quem depende da Santa Casa não pode pagar o preço de uma gestão sem transparência. O que estamos cobrando é responsabilidade com o dinheiro público e respeito à população que precisa de atendimento. O SUS é um direito, e os recursos destinados a ele precisam ser fiscalizados”, conclui o vereador.