Dor ao correr? O problema pode estar no seu tênis
Especialista do Sírio-Libanês revela que a escolha incorreta do calçado pode esconder armadilhas perigosas para suas articulações
Cada quilômetro percorrido numa corrida impõe ao corpo impactos sucessivos, uma carga que começa nos pés e pode alcançar joelhos, quadris e coluna. Neste contexto, o tênis é a primeira estrutura a absorver essa força e redistribuí-la. Mais do que acessório esportivo, ele funciona como a principal ponte entre o corredor e o solo, e pode influenciar tanto o desempenho quanto o risco de lesões.
“O ser humano é ligado à estética, mas nem sempre o que é bonito é o mais fisiológico, como, por exemplo, o salto alto”, afirma Arnaldo Hernandez, ortopedista do Hospital Sírio-Libanês. Segundo ele, o conforto imediato pode ser um bom sinal, mas não substitui uma avaliação mais criteriosa. “O calçado pode interferir na carga que chega às articulações. Se o corredor já tem algum problema prévio, essa escolha se torna ainda mais importante.”
De acordo com o Ministério da Saúde, a corrida é uma estratégia acessível para a prevenção de doenças cardiovasculares, diabetes e obesidade1. Contudo, dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram quase um em cada três adultos (31%) não atinge os níveis recomendados de atividade física2.
Para o especialista, o tênis, por si só, não é um fator determinante nos benefícios da atividade, mas pode limitar o desempenho quando provoca dor. “O calçado só compromete os ganhos cardiovasculares se causar desconforto ou lesão a ponto de a pessoa correr menos. O problema não é o tênis em si, mas a limitação que ele pode impor”, explica Hernandez.
Corredores com pé plano, também chamado de pronado, por exemplo, tendem a distribuir o peso de forma mais intensa na parte interna do pé. Isso aumenta a sobrecarga no tornozelo e no tendão tibial posterior, estrutura que ajuda a sustentar o arco plantar. Já quem tem pisada supinada apoia mais a borda externa do pé, concentrando o impacto nessa região e elevando o risco de lesões laterais.
Entre os problemas mais comuns estão a fascite plantar, que é a inflamação da faixa de tecido que liga o calcanhar aos dedos; a tendinite do calcâneo, que afeta o tendão de Aquiles; e as inflamações nos ossos sesamoides, que são pequenas estruturas localizadas sob o dedão e responsáveis por auxiliar no impulso do passo. Em muitos desses casos, a escolha de um tênis com características específicas de solado pode ser decisiva para reduzir a dor e prevenir novas lesões.
“No caso de fascite plantar ou sesamoidite, um solado mais rígido pode proteger a estrutura ao limitar movimentos excessivos. Se há queda do arco do pé, um sistema que absorve mais impacto e oferece suporte pode ser importante. Já na tendinite do calcâneo, um modelo com a parte traseira um pouco mais elevada pode ajudar”, detalha o ortopedista.
Embora o mercado ofereça tênis com placas de carbono e sistemas avançados de amortecimento, Hernandez pondera que não existe um modelo universal. Para ele, cerca de 80% das pessoas estão dentro da normalidade biomecânica e costumam se adaptar bem a bons modelos disponíveis. As pessoas que apresentam alterações importantes na pisada ou histórico de lesões devem optar por um tênis mais personalizado, idealmente após avaliação com ortopedista, médico do esporte ou educador físico experiente.
O especialista também chama atenção para sinais de alerta durante os treinos. “A dor muscular de adaptação costuma melhorar em 24 a 48 horas, mas uma dor localizada que dura mais de dois ou três dias, principalmente no osso, na articulação ou no tendão, e que piora mesmo com redução da atividade, merece atenção, pois pode ser o início de uma sobrecarga estrutural.” E complementa: “O tênis é a interface entre o corpo e o chão. Escolher bem é uma forma de preservar as articulações e garantir continuidade na prática esportiva”, conclui.
Sobre o Sírio-Libanês
A Sociedade Beneficente de Senhoras Hospital Sírio-Libanês, instituição filantrópica que completou 100 anos em 2021, atua diariamente para oferecer e compartilhar com a sociedade uma assistência médico-hospitalar de excelência, com atendimento humanizado e individualizado em mais de 60 especialidades. Desde 2007, é reconhecida pela Joint Commission International (JCI), principal órgão mundial em qualidade e segurança hospitalar, e é a única instituição no Brasil a possuir também a acreditação da JCI em Atenção Primária à Saúde.
Por meio da Faculdade Sírio-Libanês, contribui para a formação de profissionais de saúde éticos e preparados para atuar com base em boas práticas, além de fomentar o desenvolvimento científico com estudos e pesquisas nacionais e internacionais. A instituição oferece graduação, pós-graduação lato sensu e stricto sensu, residências médicas e multiprofissionais, cursos de atualização, estágios, seminários e reuniões científicas.
O Sírio-Libanês foi pioneiro na criação de programas de Saúde Populacional, que reúnem empresas, operadoras e equipes de Atenção Primária no cuidado contínuo e qualificado, apoiando a gestão do benefício do plano de saúde e promovendo qualidade de vida e produtividade. Atualmente, está presente com dois hospitais e cinco unidades em São Paulo e Brasília. Saiba mais em nosso site: Link