Editorial: A dança das cadeiras na TV de MS cansa o telespectador
Editorial desta quinta-feira (30)
Há um erro que parte da televisão sul-mato-grossense insiste em repetir: a constante troca de âncoras nos telejornais. A impressão que fica é de que algumas emissoras ainda não descobriram quem realmente deve conduzir seus principais produtos jornalísticos.
O problema não está na renovação. Ela é necessária e faz parte da evolução do jornalismo. O que causa estranheza é a frequência das mudanças. Quando um apresentador começa a criar identidade com o público, logo é substituído. Pouco tempo depois, uma nova troca acontece, e o ciclo se repete.
O telejornal não é apenas um conjunto de notícias. Seu âncora representa credibilidade, continuidade e proximidade com quem acompanha a programação diariamente. É essa relação que fortalece a marca de uma emissora. Rompê-la constantemente significa obrigar o telespectador a recomeçar uma conexão que ainda nem havia sido consolidada.
A audiência percebe quando falta planejamento. A sensação transmitida é de improviso, como se as emissoras estivessem permanentemente testando nomes em vez de investir em um projeto consistente de longo prazo.
Não basta ter bons jornalistas. É preciso acreditar neles, oferecer estabilidade e permitir que construam uma identidade diante das câmeras. Grandes telejornais brasileiros consolidaram suas marcas justamente porque seus apresentadores permaneceram tempo suficiente para conquistar a confiança do público.
Em um cenário de concorrência com redes sociais, plataformas de streaming e consumo instantâneo de notícias, a televisão precisa fortalecer seus diferenciais. Um deles é justamente a credibilidade de quem informa. Transformar a bancada em uma eterna dança das cadeiras não fortalece a programação; pelo contrário, transmite insegurança e pode afastar quem ainda escolhe a TV como principal fonte de informação.
Talvez seja hora de as emissoras de Mato Grosso do Sul refletirem menos sobre quem será o próximo âncora e mais sobre como construir uma identidade capaz de permanecer na memória e na confiança do telespectador.