Editorial | Campo Grande à deriva: até quando?
Editorial Blog do Bulhões
Campo Grande vive um cenário que salta aos olhos de quem anda pela cidade — e não é força de expressão. Terminais de ônibus tomados pelo mato, ruas esburacadas em diversas regiões, bairros inteiros mergulhados na escuridão pela falta de iluminação pública. A sensação é de abandono. E a pergunta que ecoa nas ruas é direta: onde está a gestão?
A administração da prefeita Adriane Lopes tem acumulado desgastes que vão muito além do discurso político. São problemas básicos, do cotidiano, que afetam diretamente a vida da população. Transporte público sucateado, infraestrutura precária e serviços essenciais que não funcionam como deveriam. Campo Grande parece caminhar sem rumo definido.
No fim do ano, em meio a esse cenário, a Prefeitura decidiu aumentar o IPTU. A medida caiu mal e com razão. A população paga mais imposto, mas não vê retorno. Ontem, a Câmara Municipal derrubou o aumento, dando um recado claro do descontentamento popular. A prefeita ainda pode vetar a decisão, mas os vereadores já sinalizaram que estão dispostos a derrubar o veto. O embate político apenas escancara a crise de confiança entre Executivo, Legislativo e, principalmente, a população.
Na saúde, a situação é ainda mais grave. Campo Grande ficou mais de três meses sem secretário de Saúde, um vácuo administrativo inadmissível para uma capital. O novo secretário foi anunciado apenas na semana passada, mas os problemas seguem os mesmos: falta de medicamentos, escassez de médicos e postos de saúde operando no limite, quando não fecham as portas para procedimentos básicos.
Governar é, antes de tudo, cuidar da cidade e das pessoas. E o que se vê hoje é uma capital que clama por atenção, planejamento e ação. Campo Grande não pode esperar indefinidamente por soluções que nunca chegam. Até quando a cidade vai ficar abandonada? A população já deu sinais claros de que a paciência está no fim. Agora, cabe à gestão responder, com trabalho, não com promessas.