Editorial: Enquanto Campo Grande conta os buracos, a política já conta os votos de 2028
Enquanto a prefeita Adriane Lopes tenta tapar os buracos das ruas de Campo Grande, nos bastidores da política campo-grandense já…
Enquanto a prefeita Adriane Lopes tenta tapar os buracos das ruas de Campo Grande, nos bastidores da política campo-grandense já tem gente tapando o calendário e pulando diretamente para 2028.
E olha que ainda estamos em período eleitoral.
Mas, ao que tudo indica, a sucessão da Prefeitura de Campo Grande já começou a ser discutida — e não são poucos os nomes que aparecem nas conversas. O senador Nelsinho Trad, Rose Modesto, Marquinhos Trad e Camila Jara já são citados como possíveis candidatos à cadeira que, até lá, estará disponível.
Adriane Lopes, por estar no último mandato, não poderá disputar novamente a Prefeitura. E é justamente aí que começa a corrida silenciosa pelo seu espólio político.
A pergunta que fica é: quem vai herdar a Prefeitura?
Antes de pensar em 2028, Campo Grande ainda precisa resolver problemas de 2026. Asfalto, saúde, educação, transporte, limpeza urbana, infraestrutura e tantos outros desafios fazem parte da vida real do cidadão. Enquanto a classe política faz contas para a próxima eleição, o campo-grandense faz contas para chegar ao fim do mês.
A antecipação do debate eleitoral não chega a ser novidade. Na política brasileira, mal termina uma eleição e a próxima já começa a ser desenhada. Mas há algo de preocupante quando a sucessão passa a ocupar mais espaço nos bastidores do que a discussão sobre os problemas que precisam ser enfrentados agora.
E há outro detalhe: 2028 ainda está longe.
Até lá, muita água ainda vai passar debaixo da ponte, em Campo Grande, esperamos que não seja água acumulada em alguma rua esburacada.
Os nomes colocados na mesa hoje podem mudar. Alianças podem ser refeitas, partidos podem mudar de lado, novos personagens podem surgir e aqueles que hoje aparecem como favoritos podem sequer estar na disputa.
A política é dinâmica. E eleição municipal, ainda mais.
Por isso, talvez seja cedo demais para escolher o próximo prefeito quando a atual administração ainda tem muito trabalho pela frente.
Adriane Lopes será avaliada pelo que entregar até o último dia de seu mandato. E o eleitor, certamente, saberá colocar tudo isso na balança quando chegar a hora.
Por enquanto, talvez fosse melhor deixar 2028 um pouco mais distante e olhar para 2026.
Porque, convenhamos: Campo Grande não pode esperar até a próxima eleição para ter seus problemas resolvidos.
Enquanto os políticos já pensam em quem ocupará a cadeira em 2028, o cidadão quer saber quem vai resolver o buraco da rua hoje.
E, para isso, não precisa de urna. Precisa de gestão.