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EMHA abre novas inscrições, mas deixa antigos inscritos no esquecimento

Casa própria vira ilusão: A longa espera na fila da EMHA

11 nov 2025 às 20h27 | Redação

Foto: PMCG

A Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (EMHA) anunciou a abertura de novas inscrições para empreendimentos como Jorge Amado, Manoel de Barros e Nova Bahia. No entanto, a notícia, que deveria significar esperança, expõe um problema antigo e recorrente: a falta de gestão e respeito com milhares de famílias que aguardam há anos na fila da moradia popular em Campo Grande.

A cada novo anúncio, repete-se o mesmo ciclo. A Prefeitura abre inscrições, divulga com entusiasmo e estimula a população a alimentar expectativas. Porém, quem realmente está há uma década ou mais na fila não vê resultado. Essas famílias vivem de promessa em promessa, enquanto assistem novas seleções serem abertas como se o problema estivesse apenas começando. Não está. É antigo, profundo e negligenciado.

O que falta não é cadastro. O que falta é entrega. Falta planejamento, transparência e prioridade. A base de dados da EMHA é extensa e atualizada. A prefeitura sabe quem precisa. Ainda assim, em vez de acelerar a construção, a regularização e a liberação de unidades já paradas, prefere reiniciar o processo, criar novas listas, divulgar novos projetos e movimentar novamente a esperança de quem já está cansado de esperar.

A abertura de novas inscrições em meio a um passivo histórico é, no mínimo, um ato de desconsideração com as famílias que vivem de aluguel, de favor, em áreas de risco ou em situações precárias. É jogar com o psicológico das pessoas. É repetir burocracia sem entregar dignidade. É confundir movimento com progresso.

Em vez de novas filas, o que Campo Grande precisa é de resultados concretos. A população quer chaves, não protocolos. Quer casa, não cadastro. A EMHA, como órgão responsável pela política habitacional da cidade, precisa recuperar credibilidade, e isso só acontecerá com gestão, transparência, cronogramas claros e respeito com quem aguarda.

Enquanto isso não ocorrer, a sensação é de que a fila da casa própria em Campo Grande não anda. Ela apenas se alonga.