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Editorial

Entre obras e escândalos, prefeita Adriane Lopes tenta reagir à crise de popularidade

Editorial desta quarta-feira (-04)

04 mar 2026 às 07h01 | Redação

Foto: Reprodução

A prefeita Adriane Lopes (PP) atravessa um dos momentos mais delicados desde que assumiu a Prefeitura de Campo Grande. A pressão popular aumentou, a insatisfação ecoa nas ruas e nas redes sociais, e a baixa popularidade passou a ser um dado difícil de ignorar.

Ainda assim, é preciso reconhecer: há uma tentativa de reação.

Após diversas reclamações da população, muitas delas repercutidas pelo próprio Blog do Bulhões, a prefeita decidiu deixar o conforto do Paço Municipal e ir às ruas. Nesta semana, foi vista acompanhando de perto obras como a da Rua da Divisão e ações de limpeza em bairros da Capital. Um gesto que, embora tardio, tem simbolismo. A população sentia falta dessa presença. Sentia falta de uma prefeita menos institucional e mais próxima do cotidiano real da cidade.

Mas o problema vai além da agenda externa.

Adriane demonstra esforço. Contudo, sua gestão segue desorganizada, marcada por ruídos internos, escândalos recorrentes e denúncias que desgastam a imagem da administração. Falta articulação política, falta comando estratégico e, principalmente, falta um secretariado mais alinhado e eficiente. Há auxiliares que parecem trabalhar mais para si do que para o projeto da cidade.

A prefeita não tem perfil político tradicional. Isso pode ser virtude em determinados contextos, mas em momentos de crise vira fragilidade. Governar uma capital exige liderança firme, capacidade de articulação e controle absoluto da própria equipe, algo que hoje não transparece com clareza.

Ir aos bairros é importante. Fiscalizar obras é necessário. Mostrar serviço é obrigação. Porém, gestão pública não se resolve apenas com visitas e fotos. É preciso organização interna, planejamento consistente e autoridade para enquadrar quem não entrega resultados.

Se continuar nesse ritmo, Adriane pode até concluir o mandato em 2028, mas corre o risco de terminar a gestão sem marca, sem legado forte e, pior, esquecida politicamente.

Campo Grande precisa de mais que reação. Precisa de rumo.