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Artigo

Eu, poeta, morro, faminto, sem você

Artigo de André Farinha

21 dez 2025 às 12h38 | André Farinha

Quando o poeta não encontra a inspiração, a folha, branca, é uma piscina sem fundo, infinita até nas bordas. Os olhos, sedentos pela escrita, caçando uma rima, mergulham, tontos, perdidos nessa imensidão de cor única.

Nas profundezas da página, depara com ideias enfraquecidas, versos chatos, ridículos, sem gosto, como um prato de macarrão sem tempero. Na fome, para saciar o desejo, espantar a dor, encara, devora, mexe na esperança de sentir um pouco de prazer.

Existem ingredientes para a escrita, como todo alimento, um item que falta prejudica o resultado final. Da mesma forma que uma receita que passa de geração para geração da família, o poeta também guarda os seus itens secretos, irreveláveis.

Quando não tem mais este no seu estoque, o texto fica cru, queima e, sem sabor, acaba jogado fora, rasgado, destruído como um objeto sem prestígio. E o poeta, coitado, morre estufado, agoniado, desolado, faminto.

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