Lucas Miranda estreia em Vermelho Sangue, do Globoplay, e revela conselhos de Rodrigo Lombardi e desafios com o próprio sotaque
No papel de Pedro, jovem mineiro que vê sua rotina ser tomada por forças sobrenaturais, o ator conta que se…
Entre duas propostas simultâneas, Lucas Miranda decidiu seguir o caminho que o levaria de volta às próprias raízes e recusou um convite para uma novela em outra emissora. Agora, ele dará vida a Pedro em Vermelho Sangue, série de suspense e fantasia do Globoplay que estreia no dia 2 de outubro. Assinada por Rosane Svartman, autora de sucessos como Vai na Fé e Totalmente Demais, a produção marca a estreia de Lucas no streaming da Globo.
Na trama, Pedro é um estudante universitário cercado pelos amigos Bia (Bárbara Roterdã) e José (Sávio Dorotheio) e vivendo um romance com Juliana (Ana de Santana). Entre seres místicos, ele se vê envolvido em acontecimentos sombrios que transformam sua rotina.
“Ele adora fumar o cigarrinho de palha dele, é apaixonado pela Juliana e tem um coração enorme. É resiliente, sofre muito, cai muito, mas sempre se levanta. Também tem pavio curto: não leva desaforo para casa e odeia ver quem ama sendo injustiçado. É bruto, rústico e sistemático”, define Lucas.
O enredo mistura suspense, fantasia e o sobrenatural, com vampiros e lobisomens em cenários pouco explorados pelo audiovisual brasileiro. Para Lucas, isso também foi decisivo.
“Sempre quis fazer suspense e fantasia. Quando soube do projeto, achei muito original. O interior do país ainda é pouco mostrado, mas o audiovisual brasileiro mudou muito nos últimos anos, sinto que aos poucos vem abraçando mais a diversidade fora do eixo RJ – SP. Fazer parte dessa revolução é uma honra.”
Para entrar no clima, ele fez uma maratona improvável: de Drácula a Crepúsculo, passando por Van Helsing e até episódios de Scooby-Doo. “Esse tipo de coisa influencia inconscientemente na performance. Com o Pedro não foi diferente.”
Além de todo o estudo, depois de anos ouvindo que deveria neutralizar o jeito mineiro de falar para caber no padrão da televisão, Lucas foi orientado a resgatar suas origens. “Talvez o maior desafio foi voltar a falar o mineirês, com todas as suas nuances e melodias. A direção queria Minas retratada com fidelidade. Então precisei reaprender a falar como na infância. Foi voltar às raízes.”
Além da voz, o corpo também foi transformado: corte de cabelo, barba aparada, alguns quilos a menos e treinos físicos intensos. Tudo para encarar cenas de confronto, como a cena de ação com Luan (Lucas Leto). “Nós mesmos criamos uma coreografia e apresentamos à direção. Foi exaustivo, mas gratificante.”
A arte antes de tudo
Ator, músico e dublador, formado em Artes Cênicas e Cinema, Miranda viveu a adolescência em Uberlândia, estreou no palco aos 15 anos e não largou mais a arte. Aos 18, fez as malas rumo ao Rio de Janeiro sem conhecer ninguém, movido apenas pela intuição. “Foi muito desafiador. Já pensei em desistir, mas sempre soube que era o caminho certo.” Anos depois, voltar para filmar na própria terra virou também um gesto de pertencimento.
Nos bastidores de um elenco estrelado
A experiência de contracenar com nomes já conhecidos da TV foi uma das mais marcantes para o estreante. Rodrigo Lombardi, Milhem Cortaz, Alanis Guillen, Letícia Vieira, Heloisa Jorge e Pablo Sanábio estão no elenco.“Foi excepcional, uma aula em vários sentidos. Uma delícia conversar com eles fora do set, ouvir as histórias, aprender contracenando, absorver a energia de profissionalismo.”
Entre as histórias, Lucas destaca um conselho de ninguém menos que Rodrigo Lombardi. “Nunca vou esquecer: ele disse que quando a gente está no set profissional precisa jogar tudo de lado, esquecer métodos e começar do zero, se entregando à escuta e à experiência. Achei muito especial.”
O contato com Milhem Cortaz e Patrícia Pedrosa também rendeu memórias. “Eles gostaram bastante de uma luta que fiz com o Luan (Lucas Leto). Foi marcante receber esse elogio.”
Entre os mais jovens, a união virou até um código nos bastidores. “Eu, Juliana, Bia e José éramos chamados de G4. No set todo mundo brincava: ‘traz o G4 aqui’. É uma amizade que se formou e transpareceu nas gravações.”
Música e palco em paralelo
Enquanto gravava Vermelho Sangue, Lucas manteve outros projetos em movimento. No teatro, se aventura no universo infantil com Do Começo ao Fim, espetáculo do coletivo Rasga, no Rio, em que descobriu um novo público. “Nunca tinha feito teatro infantil. Está sendo uma delícia ver as crianças tocadas pelo espetáculo.”
Nos estúdios de música, trabalhou no EP Força Invisível. “É um xodó, quase um filho. Cada faixa fala de um elemento, fogo, água, vento, terra e éter. São músicas autorais, sobre autoestima, espiritualidade e superação.” O projeto, já com duas faixas lançadas, será revelado por completo até o fim do ano.
Entre escolhas, sotaques e novas linguagens, Lucas ainda sonha em explorar outros caminhos. “Quero criar projetos que conectem com a minha verdade. Me sinto pronto para grandes personagens no cinema, nas novelas, no teatro, nas séries. Quero mostrar de onde eu vim, a minha mensagem, a minha essência como artista.”
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