Medicina: o que é preciso para conquistar uma vaga no vestibular mais disputado do país
Ranking aponta que oito das dez melhores faculdades que oferecem o curso são públicas
Sonhar com medicina no Brasil exige além de vocação, é necessário estratégia para ser aprovado no curso que é historicamente o mais concorrido do país. Segundo o Ranking Universitário da Folha (RUF), as instituições de grande prestígio na área são, predominantemente, públicas: USP, Unicamp, Unesp, UFMG e Unifesp lideram a lista, seguidas por UFRGS, UFRJ e UFPR. A única privada a figurar entre as dez primeiras é a PUC-PR, que ocupa a nona posição.
Essa é uma característica peculiar do sistema educacional brasileiro, quase uma exceção no cenário global: enquanto nos Estados Unidos e Reino Unido as faculdades renomadas são particulares, por aqui o caminho para a melhor formação na área passa por universidades federais e estaduais.
Em algumas dessas instituições, os candidatos precisam de desempenho elevado no Enem. Nas federais como UFRJ e UFMG, a média ponderada exigida é entre 780 e 825 pontos na ampla concorrência. Já nos exames próprios, como Fuvest e Unicamp, a nota de corte é mais alta: em 2026, a Fuvest teve score de 80 pontos na primeira fase, enquanto a Unicamp exigiu 60 acertos.
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“Existe um equívoco muito comum entre os estudantes: achar que, por ser uma área de exatas e ciências da natureza, a produção textual e humanidades têm menos importância. Na prova da Fuvest e da Unicamp, especificamente, o desempenho em língua portuguesa e argumentação na produção dissertativa podem ser decisivos para um desempate na nota objetiva. Uma preparação que resulte em alta performance precisa contemplar tudo”, afirma Amanda Voivodic, gerente de Conteúdo da FTD Educação.
A especialista reforça que o prestígio das públicas não deve tirar as universidades privadas do horizonte.. “O fato de as universidades gratuitas liderarem o ranking diz muito sobre o investimento histórico do Estado na pesquisa e formação médica. Mas isso em nenhuma hipótese significa que as instituições pagas sejam ruins, pelo contrário. Muitas têm excelentes programas, estrutura clínica e índices de aprovação no CRM comparáveis aos das faculdades de ponta, é importante pesquisar as possibilidades para ver como a instituição está avaliada. Algo unânime é que se formar no curso é difícil em qualquer lugar, e o vestibular já é o primeiro desafio dessa exigência”, explica.