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Capital

Mulheres, o sexo forte do empreendedorismo de Campo Grande

Barraca da Adalgisa começa antes do sol nascer, vende 30 chapas em menos de uma hora e gera emprego para…

28 set 2026 às 11h50 | André Maganha

Fotos: André Maganha

Antes do sol raiar em Campo Grande, enquanto a cidade ainda dorme, a barraca da Adalgisa de Souza já está montada. Cheia de cor, de cheiro de café passado na hora e de gente que não passa sem parar. Na vitrine, de tudo um pouco e tudo da melhor qualidade: chipa que sai da chapa na hora, sanduíche natural, salgados, gelatina, bolo de pote, brigadeiro, trufas, sucos e refrigerante. É ponto obrigatório para quem trabalha no entorno da Prefeitura.O que começou como uma brincadeira, virou negócio, sustento e inspiração.

“Tudo começou pra juntar dinheiro pra fazer uma festa de aniversário. Eu e minha irmã começamos, deu certo, fez a festa e eu gostei do negócio”, conta Adalgisa, conhecida por todos como Dal.A irmã ficou um ano e pouco e foi trabalhar com o filho. Dal continuou. Veio a Josiane, depois a Mariane, e outras mulheres foram chegando. Hoje, além de garantir o próprio sustento, ela gera emprego direto para mais duas mulheres e movimenta a economia local, porque os salgados que vende vêm de um fornecedor da cidade.

“Além de tudo você está gerando renda pra outra pessoa? Pra outra pessoa, isso mesmo”, diz, com orgulho.O sucesso é medido na rapidez que a chapa esvazia. “Umas vinte e pouco, de vinte a trinta chipas, e em menos de uma hora já acabou. Sanduíche natural quando não tem faz muita falta”, conta.E o sonho não para.”A gente sempre tem sonhos, né? De crescer mais. De expandir, de se tornar uma mulher independente economicamente e ajudar mais pessoas, gerando renda e movimentando a economia de Campo Grande.”

Inspiração para a nova geraçãoSe Dal é a força que empreende, Mariane Camargo, 19 anos, é a prova de que essa força inspira.Cliente da barraca, ela era menor aprendiz na Prefeitura. Quando o contrato acabou, ainda menor de idade, recebeu o convite para trabalhar com as “tias”.”Eu era cliente delas. Acabou meu contrato e elas me chamaram pra trabalhar aqui”, relembra.

Há um ano no negócio, ela já aprendeu o ritmo.”É muito rápido, mas é muito legal. A gente vende salgado, bolo, sanduíche natural, café, de tudo um pouco. Coisas gostosas”, diz sorrindo.E já projeta o futuro.”A Dal é uma pessoa que inspira. O esforço dela todo dia pra isso aqui ainda tá vivo. É muito inspirador”, afirma Mariane, que agora sonha em ter o próprio negócio.O café de quem faz a cidade acontecer.

Quem garante que a barraca nunca fica vazia é cliente fiel como o jardineiro Adão dos Santos, morador da Vila Olinda. Ele bate ponto todo dia antes do trabalho. “Todo dia eu venho bater ponto aqui. Começa cedo, como eu, comendo coisas gostosas. Se não fosse elas aqui, não sei o que seria da gente sem alimento aqui, sem o cafezinho da manhã”, brinca.

E ainda completa: “O que eu acho dessas mulheres terem essa disposição de vir trabalhar cedo e trazer alimento para os trabalhadores de Campo Grande? Olha, se não fosse elas…”Adão resume o que a barraca da Dal representa: não é só comércio. É acolhimento, é o café da manhã do trabalhador, é a economia que gira entre mulheres. Em uma cidade que cresce com a força de quem acorda cedo, histórias como a de Adalgisa mostram que empreender é mais que vender. É gerar emprego, é gerar renda para outras famílias e é, sobretudo, mostrar que as mulheres são o sexo forte do empreendedorismo de Campo Grande.