O banco criado por músicos que quer tirar artistas do sufoco
Iniciativa faz parte do universo de soluções de parceria de músico e empresa de tecnologia
Enquanto o mercado fonográfico brasileiro segue em crescimento, uma parcela expressiva de artistas se mantém com uma renda insuficiente no Brasil. Segundo relatório anual da Pro-Música (Produtores Fonográficos Associados), divulgado em agosto deste ano, o setor faturou R$ 3,486 bilhões em 2024 (um alta de 21,7% em relação ao no anterior), sendo o streaming responsável por 87,6% desta receita (cerca de R$ 3,055 bilhões). Porém, a maior parte dos artistas continua a receber centavos por cada música executada e, muitas vezes, só vê esse dinheiro meses depois.
Estudo interno da TuneTraders mapeou um segmento crítico e frequentemente subestudado do ecossistema criativo brasileiro: artistas que geram uma renda anual de até R$1000 em royalties. A empresa detectou que há milhares de profissionais nesta faixa e que acumulam talento e múltiplas funções (produtor, assessor, social media) nas costas, mas vivem na corda bamba financeira. O mesmo relatório demonstra que a nova política do Spotify, por exemplo, implementada em 2025, exige que uma faixa atinja no mínimo mil streams em 12 meses para ser elegível ao pagamento de royalties. A soma destas pequenas quantias chega aos US$40 milhões/ano, mas, por ser pulverizada, a plataforma optou por realocá-la no “pool” de royalties, o que beneficia artistas já estabelecidos.
“Globalmente, quase 1500 artistas geraram mais de US$ 1 milhão em direitos autorais no Spotify em 2024, um número que, embora crescente no Brasil, representa uma faixa minúscula dessa categoria. Existe uma ampla gama de artistas que depende da remuneração que provém dos streamings. E, independentemente do montante, obviamente essa receita é crucial. Porém, ela demora a chegar ou, às vezes, o artista não sabe exatamente quando vai receber. Como esse artista, seja ele músico, cantor ou compositor, consegue ter estabilidade e paz pra poder criar? É um desafio enorme”, aponta Vittorio Brun, CEO da empresa.
“Detectamos que em muitos casos, por não ter caixa, o artista adia planos de carreira, planos de lançar uma música nova, um clipe, alugar um estúdio pra ensaiar. Muita gente talentosíssima acaba ficando pra trás porque não consegue seguir com a sua vocação, não consegue focar na sua arte”, completa.
A solução, segundo ele, existe e é oferecida pelo Tune.Bank, banco digital que traz soluções para músicos, artistas, criadores e trabalhadores da cena musical. O foco está no Adiantamento de Royalties — que transforma receitas futuras de streaming em capital imediato. Segundo Brun, o intuito principal é aliviar a vida financeira do artista sem que isso comprometa no bolso. Funciona assim: o artista antecipa parte das receitas futuras de streaming e recebe um pagamento imediato, com clareza e sem burocracia.
“Basicamente, o que estamos falando aqui é sobre previsibilidade de caixa, previsibilidade financeira. Criamos o Tune.Bank para que os artistas tenham acesso a uma estrutura que coloca suas necessidades no centro: transparência total, agilidade nos repasses e mais autonomia sobre os próprios ganhos. A ideia é oferecer um espaço financeiro sem a burocracia de outras instituições, desenhado sob medida para o universo criativo, permitindo que o artista invista em novos projetos, organize seu fluxo de caixa e dê continuidade à sua carreira com menos obstáculos”, revela.
Sob a liderança de Vittorio Brun, o Tune.Bank é uma idealização da parceria com Carlos Gayotto, músico, apresentador e diretor de cinema que desde 2020 desenvolve soluções para o mercado a partir de estudos da Berklee College of Music com o MIT.
“De músico pra músico”, a proposta da empresa é simples e direta: transformar receita irregular e lenta em capital operacional. Para uma cena em que 42% dos artistas viram sua renda desaparecer na pandemia, ter fluxo de caixa previsível pode ser a diferença entre abandonar a carreira ou seguir produzindo: “Estudamos profundamente o setor e o Tune.Bank é essencialmente mais uma solução criada de músicos para músicos. Ele oferece uma praticidade que entende a realidade de quem vive da música”, finaliza Brun.
O palco já está montado e o Tune.Bank abriu as cortinas: artistas, produtores e músicos já podem se cadastrar para serem os primeiros a estrear essa nova cena.
A movimentação, sobretudo, faz sentido dentro de um histórico recente: a TuneTraders tem se debruçado sobre as dores do mercado cultural independente e lançado inúmeras soluções que visam uma melhor remuneração e bem-estar financeiro para artistas e músicos brasileiros. Entre alguns exemplos, o crowdfunding para o lançamento de música inédita de Zeca Baleiro (2021), iniciativa que, mais tarde, foi adotada por outros artistas como Tiê, Paulo Novaes feat. Anavitória; a estreia de Pedro Viafora na TunePlay, em 2024, além de trabalhar para proteger a criação artística, com o detector de IA em músicas e a biometria vocal, somados a operação da distribuidora Tune.Distro, recém-lançada no segundo semestre deste ano. A partir dessa base tecnológica, o banco promete reduzir burocracia, acelerar repasses e oferecer um produto pensado na rotina do músico.
