Por que a palavra “menas” não existe? Professora explica a invariabilidade dos advérbios
Apesar de ser frequentemente utilizada na tentativa de concordar com substantivos femininos, a forma é considerada inexistente na norma culta…
No cotidiano da língua falada, é comum sermos expostos a expressões que, embora compreensíveis, desafiam as regras fundamentais da gramática normativa. Entre os erros que mais causam ruído em ambientes formais e entrevistas de emprego está o uso da palavra “menas”. Apesar de ser frequentemente utilizada na tentativa de concordar com substantivos femininos, a forma é considerada inexistente na norma culta da Língua Portuguesa.
Ana Paula Ferreira Chinelato, professora de Língua Portuguesa do Colégio Visconde de Porto Seguro, em São Paulo, esclarece que o entendimento sobre a natureza da palavra “menos” é a chave para eliminar esse vício de linguagem de forma definitiva.
“Diferentemente dos adjetivos, que variam para concordar com o substantivo, a palavra ‘menos’, em sua função principal, não admite flexão de gênero”, explica a professora. Ela detalha os motivos. O primeiro deles é que quando atua como advérbio (modificando um adjetivo ou outro advérbio), “menos” pertence a uma classe de palavras invariáveis. Portanto, não existe a desinência nominal de gênero “–a”. É o caso em “Hoje as janelas estão menos abertas” (nunca “menas abertas”).
Mesmo quando acompanha substantivos femininos, exercendo a função de pronome indefinido, a palavra “menos” permanece invariável, como, por exemplo, em “Havia menos pessoas na reunião do que o esperado” (nunca “menas pessoas”).
Uma dica prática sugerida pela professora é comparar com o seu antônimo, “mais”. Como a palavra “mais” não varia para “maisa” ou “maise”, o seu oposto, “menos”, também deve manter sua forma única.
“A segurança linguística se constrói com estudo e prática. A norma culta é uma ferramenta importante em muitos contextos acadêmicos e profissionais. Por isso, evitar formas como ‘menas’ contribui para uma comunicação mais clara, adequada e precisa”, afirma a docente.