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Artigo

Tenho matado poemas

Artigo desta segunda-feira (13)

13 out 2025 às 09h03 | André Farinha

Foto: Pexels

Tenho assassinado poemas. São tantos crimes, quase que praticados em série, todos sem
demonstrar piedade, compaixão. Oculto tudo no pensamento, ato já premeditado.
Ninguém vai descobrir!

Tenho comigo um ‘eu poeta’ que constrói versos numa agilidade absurda. Escreve dois,
três parágrafos, textos curtos, porém, grossos.

Ofendo o ‘eu poeta’ muitas vezes, não sei como não se afastou e desapareceu deste meu
corpo todo retorcido. Chamo-o de trouxa, iludido, sonhador… Verdades que ele custa
acreditar!

É no enrosco desta discussão interna que mato o poema. Cruel, deixo sufocar na
imensidão da reflexão. Não retiro, espero se decompor com o tempo.
Eu não controlo o meu ‘eu poeta’! O desgraçado, para completar, está infectado pela
maldita paixão. Os efeitos são poemas melosos, açucarados, confessionários íntimos.

Um porre!
Tenho inveja, no fundo, queria ter uma paixão e não mais maltratar os poemas com a
tortura do apagar, mas apenas escrever e jogar ao vento para alguém escutar.