Insuficiência cardíaca: especialista explica fatores de risco, sintomas e tratamento
No Brasil, cerca de 2 milhões de brasileiros vivem com a doença e anualmente são 240 mil novos casos
Celebrado em 09/07, o Dia Nacional de Alerta contra a Insuficiência Cardíaca tem como objetivo informar a população sobre a doença. Neste sentido, Alinne Macambira, especialista do Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFDT), vinculado à Rede HU Brasil, orienta sobre fatores de risco, sintomas, diagnóstico, tratamento e formas de prevenção da insuficiência cardíaca.
Caracterizada por ser uma condição crônica de perda da capacidade do coração em bombear o sangue, a insuficiência cardíaca é uma enfermidade decorrente de diversos fatores, como destaca Alinne Macambira, cardiologista do HDT-UFDT/HU Brasil. “Entupimento das artérias, o que reduz o fluxo de sangue ao músculo cardíaco, diabetes, hipertensão arterial descontrolada, fator que obriga o coração a bombear contra uma resistência muito alta, levando ao seu desgaste, além das doenças congênitas, como os defeitos cardíacos presentes desde o nascimento”, declara.
Segundo o Ministério da Saúde, cerca de dois milhões de pessoas vivem com insuficiência cardíaca no Brasil, com 240 mil novos casos registrados anualmente, e a doença figura entre as principais causas de internação por doenças cardiovasculares no país.
A cardiologista recomenda a procura por atendimento médico especializado quando a pessoa apresenta os seguintes sintomas: falta de ar; inchaço nas pernas, tornozelos e pés; cansaço extremo e fraqueza; tosse seca persistente, principalmente à noite. “Além desses sintomas ocasionais, a pessoa deve procurar atendimento imediato quando sente falta de ar intensa em repouso, sensação de afogamento, dor no peito que não melhora, confusão mental ou desmaio, lábios ou extremidades arroxeadas, palpitações com sensação de desmaio iminente”, alerta.
Tratamento e mudança de hábitos
Dentre os tratamentos, segundo a especialista, o uso de medicamentos associados para controle da pressão arterial, glicemia e insuficiência cardíaca, além da proteção dos rins conjuntamente com diuréticos, contribui para o controle dos sintomas. Outros métodos consistem no uso de dispositivos implantáveis associados a mudanças no estilo de vida. “Marca-passos especiais e cardiodesfibriladores para prevenir morte súbita, mudanças no estilo de vida como a restrição de sal, controle do peso e reabilitação cardiovascular, tratamento de causas base como angioplastia, cirurgia de válvulas e, em casos avançados, o transplante cardíaco”, detalha a cardiologista.
A mudança de hábitos alimentares e a prática de atividade física regular estão entre os principais aspectos de prevenção da insuficiência cardíaca. “O controle de fatores de risco deve acontecer desde cedo. Cuidado rigoroso da pressão arterial e do diabetes, não fumar e evitar exposição ao fumo passivo, alimentação saudável, controle de peso, exercício físico regular, sobretudo após avaliação médica, se já houver fatores de risco, uso moderado ou zero de álcool, check-ups cardiológicos periódicos, especialmente com idade avançada ou histórico familiar”.
Para quem já convive com insuficiência cardíaca, Alinne Macambira pontua que é possível manter uma qualidade de vida e evitar agravos da doença. “Com o tratamento correto, a maioria das pessoas vive bem por muitos anos, com capacidade para trabalhar, viajar e ter lazer. A insuficiência cardíaca não é mais uma sentença, mas uma condição crônica controlável, como diabetes. A reabilitação cardiovascular e o acompanhamento multidisciplinar são peças-chave para devolver autonomia e bem-estar”, finaliza.
Sobre a HU Brasil
O HDT-UFNT integra a Rede HU Brasil desde 2015. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.