BOMBA: Denúncias de assédio colocam Prefeitura de Campo Grande sob cobrança
Editorial desta segunda-feira
A Prefeitura de Campo Grande precisa responder. E precisa responder com seriedade.
Denúncias envolvendo um servidor público municipal, acusado por mulheres de supostos episódios de assédio sexual e assédio moral, já chegaram às autoridades competentes. Segundo informações, há registro de boletim de ocorrência e também denúncia encaminhada ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul.
Diante de acusações tão graves, não cabe silêncio. Não cabe deixar as denunciantes com a sensação de que estão sozinhas. E muito menos permitir que qualquer situação seja tratada internamente como se fosse apenas mais um problema administrativo.
É importante deixar claro: denúncia não é condenação. O servidor tem direito à defesa e ao contraditório. Mas as mulheres que tiveram coragem de denunciar também têm direito de serem ouvidas, respeitadas e protegidas.
A grande questão é: o que a Prefeitura de Campo Grande está fazendo diante dessas denúncias?
Já foi instaurado algum procedimento para apurar os fatos? As mulheres foram ouvidas? Existem medidas para impedir qualquer tipo de constrangimento ou eventual retaliação? A administração municipal está acompanhando o caso?
São perguntas que precisam ser respondidas.
Quando uma denúncia dessa natureza envolve o serviço público, a responsabilidade da administração é ainda maior. O cidadão espera que a Prefeitura tenha mecanismos capazes de investigar irregularidades e preservar a segurança e a dignidade de seus servidores.
O silêncio, neste momento, apenas aumenta a desconfiança.
Não estamos falando de uma simples discussão entre funcionários. Estamos falando de denúncias de possíveis práticas de assédio sexual e moral envolvendo mulheres que trabalham no serviço público municipal e que, segundo os relatos, chegaram ao ponto de procurar a polícia e o Ministério Público.
Se as denúncias forem falsas, que uma investigação independente e rigorosa esclareça os fatos e preserve o direito do acusado.
Se forem comprovadas, que os responsáveis sejam devidamente responsabilizados na forma da lei.
O que não pode acontecer é a ausência de resposta.
A Prefeitura de Campo Grande precisa mostrar que leva denúncias dessa natureza a sério. Precisa garantir que nenhuma mulher tenha medo de denunciar e, principalmente, que nenhuma servidora se sinta obrigada a conviver em um ambiente onde acredita estar sendo vítima de assédio.
Apurar não significa condenar. Apurar significa cumprir o dever público.
Por isso, fica a cobrança, Prefeitura de Campo Grande, o caso precisa ser investigado com rigor, transparência e responsabilidade.
As mulheres precisam de proteção. O servidor precisa ter direito à defesa. E a sociedade precisa ter a certeza de que uma denúncia grave não será simplesmente colocada em uma gaveta.