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Editorial

Chuva em Campo Grande: até quando os mesmos pontos vão continuar alagando?

Editorial deste sábado (05)

05 set 2026 às 15h24 | Redação

Foto: Ilustração/ChatGPT

A chuva forte que atingiu Campo Grande neste sábado voltou a expor uma velha fragilidade da cidade: a dificuldade de determinados pontos em suportar grandes volumes de água.

Uma reportagem do Jornal Midiamax mostrou a situação na Avenida Gunter Hans, no Coophavila II, onde a enxurrada chegou a interditar completamente a via. Motoristas se arriscaram a atravessar a água, enquanto pedestres ficaram sem passagem.

O episódio, por si só, seria apenas mais uma consequência de um temporal.

O problema é que não é a primeira vez que aquele trecho alaga.

Um morador ouvido pelo Midiamax foi direto ao afirmar: “Aqui sempre alaga”. É justamente essa repetição que deveria tirar o assunto da esfera do imprevisto e colocá-lo na agenda do planejamento público.

Ninguém espera que a Prefeitura consiga impedir uma tempestade. O que se espera de uma cidade é capacidade para enfrentar seus efeitos, sobretudo em áreas onde os problemas já são conhecidos.

Quando um determinado ponto alaga repetidamente, é preciso saber por quê e o que está sendo feito para reduzir o impacto.

A pergunta não é se vai chover novamente.

Vai.

A pergunta é se a cidade estará mais preparada quando isso acontecer.

Campo Grande cresceu, aumentou sua área pavimentada e recebeu novos empreendimentos e moradores. Esse crescimento exige uma infraestrutura de drenagem compatível. Não basta abrir novas vias e ocupar novos espaços; é necessário garantir que a água tenha por onde escoar.

Por isso, os pontos críticos precisam ser tratados com diagnóstico técnico, manutenção e obras quando necessárias. É preciso avaliar a capacidade das galerias, identificar gargalos, verificar estruturas existentes e estabelecer prioridades.

E isso deve ser feito antes do próximo temporal, não durante a emergência.

As imagens de veículos enfrentando a enxurrada impressionam, mas também revelam um risco que não pode ser banalizado. Água acumulada pode esconder buracos, desníveis, bueiros e outros obstáculos. Para motociclistas e pedestres, o perigo é ainda maior.

Orientar a população a não atravessar áreas alagadas é necessário. Garantir que ela não precise se colocar em risco para chegar ao destino é responsabilidade do poder público.

Também não se trata de transformar cada alagamento em argumento político. A intensidade das chuvas é um fator que nenhuma administração controla. Mas a prevenção, a manutenção e o planejamento urbano são decisões humanas.

É aí que está a diferença entre simplesmente reagir a um temporal e administrar uma cidade preparada para ele.

Se moradores conseguem apontar os mesmos locais de alagamento há anos, o poder público também precisa ter esses pontos mapeados, monitorados e incluídos em um plano de intervenção.

Problema conhecido não pode continuar sendo tratado como surpresa.

A chuva deste sábado deve servir como mais um alerta para Campo Grande. Não apenas para a Avenida Gunter Hans, mas para todos os pontos onde a água costuma transformar ruas e avenidas em áreas de risco.

A discussão precisa sair do ciclo previsível de chuva, alagamento, transtorno e espera pela água baixar.

É preciso planejamento de longo prazo, transparência sobre as prioridades e cobrança por resultados.

Porque a população não pode continuar aprendendo, a cada temporal, quais ruas estão preparadas e quais vão desaparecer debaixo d’água.

A chuva é inevitável.

O alagamento recorrente, quando há possibilidade de prevenção, não deveria ser.

E fica a pergunta para quem administra Campo Grande:

até quando os mesmos pontos continuarão alagando sem uma solução definitiva?