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Editorial: Enquanto a cidade afunda em problemas, vereadores freiam medida equivocada

Editorial desta terça-feira (05)

05 maio 2026 às 15h32 | Redação

Foto: Izaias Medeiros/CMCG

Campo Grande vive um daqueles momentos em que a política deixa de ser discurso e passa a ser posicionamento. A decisão dos vereadores de barrar a proposta de terceirização de unidades de saúde precisa ser reconhecida — não como um gesto de enfrentamento vazio, mas como um sinal de responsabilidade com o que é público.

A saúde não pode ser tratada como um experimento administrativo. Transferir a gestão para organizações externas, sem que o município resolva seus próprios gargalos internos, é, no mínimo, inverter prioridades. Antes de terceirizar, é preciso organizar. Antes de delegar, é necessário assumir.

O problema de Campo Grande não é, essencialmente, falta de dinheiro. A cidade arrecada, recebe repasses e tem estrutura para funcionar melhor do que funciona hoje. O que falta é gestão eficiente, planejamento e, sobretudo, fiscalização. Falta presença. Falta comando.

A decisão da Câmara escancara uma realidade que já é percebida nas ruas: a população está cansada de soluções improvisadas. Enquanto se discute modelos de gestão, o cidadão enfrenta postos sem estrutura, demora no atendimento e ausência de insumos básicos. A saúde pública pede socorro — mas não pede terceirização como resposta imediata, pede organização.

E não é só na saúde. A cidade, literalmente, mostra sinais de abandono. Buracos se multiplicam pelas vias, serviços essenciais patinam, e a sensação de desordem cresce a cada dia. A administração municipal parece sempre um passo atrás dos problemas, reagindo quando deveria prevenir.

A prefeita Adriane Lopes já teve tempo suficiente para demonstrar a que veio. E, até aqui, o que se vê é uma gestão que ainda não encontrou seu rumo. Administrar uma capital exige mais do que boa vontade — exige capacidade técnica, liderança e decisões firmes.

Os vereadores, ao rejeitarem o projeto, cumprem seu papel institucional de freio e equilíbrio. Mais do que isso, dão um recado claro: não é aceitável empurrar soluções sem antes resolver o básico.

Campo Grande não precisa de atalhos. Precisa de gestão. Precisa de prioridade. Precisa de alguém que entenda que governar é, acima de tudo, cuidar daquilo que já existe antes de tentar reinventar.

A pergunta que fica é direta e incômoda: o que mais precisa acontecer para que a cidade volte a funcionar como deveria?