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Editorial

Eleições começam devagar e expõem distância entre candidatos e eleitores em Mato Grosso do Sul

Editorial desta quinta-feira

20 ago 2026 às 11h02 | Redação

Foto: Imagem gerada IA/ ChatGPT

A campanha eleitoral de 2026 começou oficialmente, mas, em Mato Grosso do Sul, a impressão nas ruas é de que a eleição ainda não começou de verdade. O calendário permite campanha desde 16 de agosto, e o Estado já contabiliza 419 candidaturas registradas para os diversos cargos em disputa. Mesmo assim, a movimentação política ainda parece tímida diante do tamanho da eleição que se aproxima.

É uma eleição que, pelo menos neste primeiro momento, parece começar em marcha lenta. Poucos candidatos ocupam as ruas, muitos ainda não transformaram suas candidaturas em uma presença efetiva junto ao eleitor e, nas redes sociais, a sensação também é de cautela. Para quem acompanha a política sul-mato-grossense, fica uma pergunta inevitável: onde estão os candidatos?

O dinheiro, que tradicionalmente movimenta uma cadeia de serviços durante o período eleitoral, também ainda não parece ter chegado com força às ruas. São cabos eleitorais, profissionais de comunicação, produtores de conteúdo, gráficas, carros de som, eventos, assessorias e tantos outros trabalhadores que costumam encontrar na eleição uma oportunidade de renda extra. A legislação prevê bilhões em recursos do Fundo Eleitoral para as campanhas de 2026, mas a distribuição e a utilização desses recursos acontecem conforme as estratégias e as prestações de contas de cada partido e candidatura.

E aqui está uma das grandes contradições desta eleição: há dinheiro previsto para a campanha, mas ele ainda não parece estar circulando na velocidade esperada por quem vive dela. Pelo menos nas ruas de Mato Grosso do Sul, o eleitor comum ainda não vê aquela movimentação que costuma marcar os primeiros dias de uma disputa eleitoral.

Também chama atenção a postura de candidatos que já ocupam espaços políticos importantes. Alguns ainda parecem estar esperando o momento certo para entrar em campo, como se a campanha pudesse começar apenas quando a eleição estiver próxima da reta final. Só que o eleitor mudou.

O eleitor de hoje está mais distante dos políticos. Não necessariamente porque deixou de se interessar pela política, mas porque passou a desconfiar mais, a acompanhar menos os discursos tradicionais e a exigir motivos concretos para prestar atenção.

Não basta aparecer na fotografia, publicar uma agenda ou gravar um vídeo dizendo que está pronto para a eleição.

É preciso conversar.

Conversar com a base, ouvir as comunidades, caminhar pelos bairros, visitar municípios, entender as demandas e, principalmente, sair da bolha política.

Esse talvez seja um dos maiores desafios das eleições de 2026 em Mato Grosso do Sul: reconectar o candidato com um eleitor que está cada vez mais distante da política tradicional.

A televisão ainda terá seu espaço. As redes sociais serão fundamentais. Mas nenhum algoritmo substitui completamente o contato olho no olho. Nenhuma postagem consegue reproduzir a força de uma conversa com um eleitor que quer ser ouvido.

E há outro fenômeno que merece atenção: a quantidade de candidaturas que não chegam à reta final ou que acabam sendo retiradas ao longo do processo. É preciso, porém, separar desistências efetivamente registradas de simples mudanças de cenário, candidaturas não confirmadas ou alterações cadastrais. O próprio sistema da Justiça Eleitoral permanece em atualização, e os registros podem sofrer mudanças.

A eleição sul-mato-grossense, portanto, começa com muitos nomes no papel, mas ainda com pouca presença política percebida nas ruas.

Talvez seja cedo para cobrar uma campanha em ritmo acelerado. Mas não é cedo para observar um fenômeno que pode ser decisivo: o eleitor não está esperando o candidato.

Ele está seguindo a própria vida.

Enquanto políticos discutem alianças, estratégias, recursos, pesquisas e estruturas partidárias, a população continua trabalhando, pagando contas e enfrentando os problemas de todos os dias.

Quem quiser conquistar esse eleitor terá que fazer o caminho inverso.

Terá que sair do gabinete, deixar um pouco o discurso pronto e ir para onde o eleitor está.

Porque eleição não se ganha apenas com estrutura, dinheiro ou presença digital.

Eleição se disputa, antes de tudo, com presença.

E, neste começo de campanha em Mato Grosso do Sul, talvez seja justamente isso que ainda esteja faltando: presença política nas ruas e uma conversa verdadeira com quem vai decidir o futuro do Estado nas urnas.