2
Campo Grande - MS Busca
Capital

Fim da escala 6×1 preocupa empresários de Campo Grande; 84,7% já têm dificuldade para contratar

Levantamento revela que quase metade das empresas entrevistadas precisaria contratar mais funcionários para manter a operação

04 set 2026 às 10h40 | Redação

O fim da escala 6×1, que prevê a adoção de dois dias de descanso semanal e a redução da jornada de 44 para 40 horas, teve sua votação no Senado adiada para depois do primeiro turno das eleições. O novo cenário reforça a relevância do debate entre os setores produtivos, especialmente diante dos impactos que uma eventual mudança pode provocar na operação das empresas. Pesquisa realizada pela Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG) mostra que 57,1% das empresas ouvidas utilizam atualmente a escala 6×1 e que 84,7% já enfrentam dificuldades para contratar mão de obra.  

O levantamento ouviu 105 empresários de diferentes segmentos, sendo 44,8% do setor de serviços, 32,4% do comércio, 9,5% da indústria, 7,6% do agronegócio e 5,7% de outros setores. Atualmente, 57,1% das empresas utilizam a escala 6×1, enquanto 10,5% adotam esse modelo parcialmente.

Questionados caso haja a proibição da escala 6×1, 28,6% apontaram o aumento dos custos operacionais como maior preocupação. Outros 24,8% acreditam que haverá redução da produtividade, enquanto 20% afirmam que será necessário contratar novos colaboradores e outros 20% acreditam que haverá pouco ou nenhum impacto. Para 6,67% ainda não é possível avaliar.

A necessidade de reforçar as equipes aparece como um dos principais desafios. 44,8% dos empresários afirmam que precisariam contratar novos colaboradores para manter a operação funcionando. Entre esses, 38,3% estimam que o quadro de funcionários precisaria crescer entre 6% e 10%, enquanto 19,1% projetam aumento entre 11% e 20%.

Outro dado que chama atenção é que 84,7% das empresas já enfrentam dificuldades para contratar mão de obra, o que, na avaliação dos empresários, pode tornar ainda mais complexa uma eventual transição para um novo modelo de jornada.

Ao mesmo tempo, a pesquisa revela que o empresariado reconhece possíveis benefícios da mudança. 64,6% acreditam que uma jornada diferente pode contribuir para aumentar a produtividade dos colaboradores, enquanto 40,2% entendem que a escala 5×2 pode melhorar a atração e retenção de talentos.

Quando questionados sobre qual seria o modelo mais adequado para o mercado brasileiro, a maioria (35,7%) defendeu modelos alternativos conforme a atividade econômica, seguidos por 27,6% que preferem um modelo flexível de acordo com a proposta em discussão (PEC 12). Apenas 25,5% defendem a obrigatoriedade da escala 5×2 e 11,2% preferem manter a escala 6×1.

Para o presidente da ACICG, Omar Aukar, o debate é necessário, mas precisa considerar as diferentes realidades das empresas brasileiras.

” A pesquisa mostra que o empresário reconhece benefícios em uma jornada mais equilibrada, porém também demonstra preocupação com o aumento dos custos, a necessidade de novas contratações e, principalmente, com a dificuldade que já enfrenta para encontrar mão de obra”, afirma.

Segundo Omar, a pesquisa reforça que não existe uma solução única para todos os segmentos. O caminho passa pelo diálogo e por soluções flexíveis, que respeitem as características de cada setor da economia.

“O debate não envolve apenas as empresas. Uma mudança dessa dimensão também impacta condomínios, hospitais, supermercados, hotéis, serviços de segurança, limpeza, transporte e diversas atividades que funcionam de forma contínua. É uma discussão que precisa considerar toda a cadeia econômica e os reflexos para a sociedade. Por isso defendemos um modelo que permita flexibilidade e evitando que uma regra única gere aumento de custos para toda a população”, explicou.