127 anos de Campo Grande: que cidade queremos construir para as próximas gerações?
Por Elaine Cristina dos Reis, professora de Geografia do Colégio Marista Alexander Fleming
No dia 26 de agosto, Campo Grande completa 127 anos de uma trajetória marcada por encontros, diversidade cultural e forte vínculo com seu território. Comemorar essa data também é uma oportunidade de refletir não apenas sobre o caminho percorrido pela capital do Mato Grosso do Sul, mas sobre aquilo que ainda desejamos construir. Nesse processo, a educação tem papel fundamental ao aproximar crianças, adolescentes e jovens da realidade em que vivem e mostrar que eles participam das transformações da sociedade.
Conhecer a história, a economia, os costumes e as características do município amplia a percepção dos estudantes sobre o próprio cotidiano. Ao compreenderem como Campo Grande se desenvolveu, quais grupos contribuíram para sua formação e de que maneira o território se modificou ao longo do tempo, os jovens fortalecem vínculos com o lugar onde vivem. Conceitos como identidade, pertencimento e cidadania, assim, ganham sentido prático.
Espaços como o Parque das Nações Indígenas, a Feira Central e o Bioparque Pantanal ajudam a contar diferentes capítulos dessa história. Para além da sala de aula, permitem observar aspectos da cultura, das migrações, da biodiversidade e das relações sociais. A influência de comunidades como a japonesa e a libanesa, por exemplo, revela como diferentes povos ajudaram a formar hábitos, tradições e referências presentes na identidade campo-grandense.
Olhar para esta cidade também significa reconhecer seus desafios. Uma capital em expansão precisa conciliar desenvolvimento econômico, mobilidade, preservação ambiental e qualidade de vida. Campo Grande mantém uma relação marcante com suas áreas verdes e recebe reconhecimento internacional pelo programa Tree Cities of the World. Essa característica reforça a importância de pensar o crescimento urbano de forma equilibrada, sem abrir mão do patrimônio ambiental.
Esse debate precisa envolver as novas gerações. O futuro da capital não será definido apenas pelas decisões do poder público ou das instituições, mas também por atitudes cotidianas, pelo cuidado com os espaços coletivos, pelo respeito às diferenças e pela disposição para participar das questões que afetam a comunidade.
A escola tem contribuição decisiva nesse percurso. Ao relacionar os conteúdos curriculares à realidade local, a educação estimula os estudantes a reconhecer seus direitos e responsabilidades, além de compreender que suas escolhas produzem impactos na sociedade. Formar cidadãos conscientes envolve conhecimento e senso crítico, mas também valores como respeito, empatia, solidariedade, ética e cuidado com o meio ambiente.
Em 2026, o Colégio Marista Alexander Fleming também celebra um marco: 45 anos de presença em Campo Grande. Nesse período, acompanhou diferentes gerações de estudantes e famílias e se integrou à trajetória da capital. Essa relação reforça o compromisso de contribuir para uma formação que vá além dos conteúdos acadêmicos e prepare os jovens para atuar de maneira responsável na sociedade.
Ao chegar aos 127 anos, Campo Grande nos convida a pensar: que cidade queremos deixar para quem virá depois de nós? Uma capital mais humana, sustentável, inclusiva e desenvolvida depende de pessoas capazes de conhecer seu território, valorizar sua diversidade e participar de suas transformações.
A cidade que recebemos é resultado de escolhas feitas ao longo de décadas. O que entregaremos às próximas gerações dependerá das decisões tomadas no presente. Incentivar os jovens a conhecer, valorizar e cuidar de Campo Grande é também uma maneira de celebrar sua história e contribuir para os próximos capítulos.
Sobre a professora:Elaine Cristina dos Reis é formada em Geografia pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), campus de Aquidauana. Atua no Colégio Marista Alexander Fleming, em Campo Grande (MS), desde 2024.
Saiba mais
O Marista Alexander Fleming faz parte do Marista Brasil, presente em 21 estados brasileiros e com cerca de 100 mil crianças, jovens e adultos em 97 unidades de ensino. Os estudantes recebem formação integral, que une valores Maristas e excelência acadêmica, desenvolvendo conhecimento, pensamento crítico e autonomia. Saiba mais em: maristabrasil.org/.