Editorial: Pedágio mais caro, paciência mais curta: até quando o sul-mato-grossense vai pagar essa conta?
Editorial desta quarta-feira
O aumento das tarifas de pedágio na BR-163, que entrou em vigor nesta quarta-feira, pesa mais uma vez no bolso de quem depende da rodovia para trabalhar, produzir e se deslocar. Em um Estado cuja economia gira em torno do agronegócio, do transporte de cargas e da integração entre municípios, cada reajuste representa um custo que, inevitavelmente, chega ao consumidor final.
A justificativa da concessionária Motiva Pantanal e da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) é conhecida: atualização monetária prevista em contrato e cumprimento de metas de investimentos. Tudo muito técnico no papel. Mas, para quem enfrenta diariamente a BR-163, a pergunta continua sendo a mesma: onde estão os resultados que justifiquem pagar cada vez mais?
Durante anos, a BR-163 foi alvo de críticas por obras prometidas e não entregues, duplicações paralisadas e um histórico de insegurança. Agora, sob um novo contrato, a expectativa era de uma mudança de postura. No entanto, antes mesmo de a população perceber uma transformação significativa na rodovia, já chega mais um reajuste.
É nesse momento que o governador Eduardo Riedel precisa se posicionar de forma clara. Embora a concessão seja federal e fiscalizada pela ANTT, o Governo do Estado não pode assistir de braços cruzados enquanto milhares de sul-mato-grossenses pagam uma conta cada vez maior. O governador tem legitimidade política para cobrar da União, da agência reguladora e da concessionária transparência, cronogramas de obras e garantias de que os investimentos sairão efetivamente do papel.
O cidadão não quer discursos técnicos. Quer segurança para viajar, duplicações concluídas, acostamentos em condições adequadas e menos acidentes. Se o pedágio aumenta, é natural que aumente também a cobrança por resultados.
Mato Grosso do Sul tornou-se um dos principais corredores logísticos do país. Caminhões transportam a riqueza produzida no campo, famílias percorrem centenas de quilômetros entre cidades e empresários dependem da eficiência da BR-163 para manter a competitividade. Não faz sentido que essa população continue sendo chamada a fazer sacrifícios sem enxergar, na mesma proporção, melhorias concretas.
O Governo do Estado precisa assumir um papel mais firme na defesa dos interesses dos sul-mato-grossenses. Não basta comemorar investimentos e desenvolvimento econômico; é preciso garantir que a infraestrutura acompanhe esse crescimento.
O aumento do pedágio pode estar previsto em contrato. O que não pode ser considerado normal é o sentimento de que o usuário continua pagando mais do que recebe. E essa é uma resposta que a população espera não apenas da concessionária e da ANTT, mas também das lideranças políticas de Mato Grosso do Sul, especialmente do governador Eduardo Riedel. Afinal, quem representa o Estado também deve representar a indignação de quem vive, trabalha e paga para trafegar pela principal rodovia sul-mato-grossense.